A salvação da lavoura


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VIDA NO CAMPO - José Lélio e Carlos Rodrigues (de vermelho) alimentam as vacas no seu sítio, no Paiolzinho. A propriedade está entre as mais de 3,6 mil da região que subsistem apenas com a agricultura familiar
VIDA NO CAMPO - José Lélio e Carlos Rodrigues (de vermelho) alimentam as vacas no seu sítio, no Paiolzinho. A propriedade está entre as mais de 3,6 mil da região que subsistem apenas com a agricultura familiar
Um levantamento feito pela Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada), nos últimos dois meses, revelou que das 6 mil propriedades rurais da região, 3.650 trabalham com agricultura como única alternativa de manter o sustento da família e evitar o êxodo rural. São pequenas propriedades onde muitos agricultores, apesar de terem experiência na lida do campo, precisam recorrer a projetos desenvolvidos pela Cati e Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para conseguir melhorar o negócio. José Lélio Rodrigues e seu filho Carlos Alberto Rodrigues criam vacas leiteiras em um sítio no setor de chácaras do Paiolzinho e enfrentam os desafios de viver do que produzem. “A agricultura familiar é um modo de sobrevivência como qualquer outro tipo de emprego na cidade. A diferença é que a família inteira se envolve na mesma coisa”, disse José Lélio. O trabalho no campo é duro. Não há férias, nem 13º salário no fim do ano e, se quiserem aumento de salário, precisam trabalhar mais. “Eu sempre trabalhei na roça e nunca tirei férias”. José Lélio ensinou o ofício ao filho já que não tem condições de empregar uma pessoa. É de Carlos a obrigação de acordar todos os dias às 6 horas para tirar os 25 litros de leite. Toda a produção é vendida para um doceiro daquela região. A renda gira em torno de R$ 500 mensais. Já foi pior e só melhorou porque, recentemente, pai e filho pediram um empréstimo ao Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) para comprar mais vacas. Além disso, passaram a receber a visita de um agrônomo da Cati que acompanha todo o trabalho desenvolvido no sítio. “Ele é nosso doutor. Ficar sem ele é como ficar doente e não ir à farmácia. Sabemos executar, mas quem nos mostra os novos métodos e tecnologias é ele”, disse José Lélio. O trabalho no sítio de José Lélio só termina lá pelas 18h30. Para aumentar a renda, a família planta café em cinco hectares de terra. Neste ano, a colheita rendeu 50 sacas. O casal Jonas Bergamini, 65, e Vera Lúcia Bergamini, 61, também são agricultores. Eles mantêm uma horta orgânica na zona rural de Ribeirão Corrente. “A gente trabalha em conjunto com toda a família. Enquanto uns estão na roça, outros estão na cidade, fazendo as entregas”, disse Vera. O casal mora em Franca e logo nas primeiras horas do dia vai para o sítio. Eles não param. “Duas vezes por semana, entregamos verduras para clientes. Em outros dois dias, participamos de uma feira de produtos orgânicos em Franca”. Tanta correria tem compensado. “Tiramos cerca de R$ 2 mil por mês”, disse. Para melhorar o negócio, os Bergamini também contam com a orientação de um engenheiro agrônomo da Cati.

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