No triste episódio do seqüestro e morte da jovem Eloá ,destaque-se o fato inusitado e até incompreensível da segunda jovem, Nayara, depois de libertada do cativeiro e mesmo sabedora do perigo que corria, se dispôs a retornar, com o firme propósito de salvar vidas. Em sã consciência, quantos de nós estaríamos dispostos a tão nobre gesto? Quanto heroísmo, quanto despreendimento, quanta coragem, naquele gesto. Não seria aquela menina uma verdadeira heroína? Não é verdade que ela nos deu uma grande lição de solidariedade? Esta é, portanto, a hora de nos perguntarmos se continuaremos ignorando ou se devemos começar a assumir nossas responsabilidade como cidadãos civilizados e participantes. Deixemos nossa hipocrisia, de nossos discursos muito diferentes da ação que temos que empreender. Façamos melhor nossa sociedade, onde pessoas reclamam do poder público durante o dia e jogam lixo em terrenos baldios à noite; onde a madame de carro zero força fila dupla na porta da escola e finge não saber dos transtornos que causa aos outros; onde pais falam mal de professores mas não vão a única reunião na escola dos filhos sob a alegação de que não iria adiantar mesmo. Não adianta adiar, nem se fazer de bobo. Precisamos assumir nossas responsabilidades agora se não quisermos chorar mais tarde.
José Roberto Fidalgo Donadelli
Franca - SP
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