Pela luta, pero no mucho!


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Estas eleições lembraram-me os tempos da Universidade Federal de São Carlos, onde estudei e tive a oportunidade de ter boa parte de meu caráter e espírito de luta formado. Foi aí que exercitei a coragem de enfrentar o perigo. Observei nestas eleições os partidários do PSTU bradarem novamente sua ultrapassada teologia, ops, ideologia. Naquela época, início dos anos 80, não existia esse partido, nem o PT, sua primeira morada. Eles eram conhecidos como Convergência Socialista. Passaram as últimas eleições gritando o bordão: “contra burguês, vote dezesseis!”, mas, naquela época, pregavam a luta armada, o Socialismo só seria conquistado com a luta armada, jamais pela democracia. Quem ouvia, ficava admirado, haja vista que estávamos ainda na ditadura. Porém, aconteceu algo que mudaria a vida daquela estudantada. A empresa de ônibus aumentou muito a passagem, com o aval do prefeito, claro! Para quem não conhece São Carlos, a Federal fica ao lado da rodovia Washington Luís, quase todos os alunos utilizavam esse serviço. Naquela época, as escolas públicas eram de boa qualidade, davam oportunidade. Os alunos, ou melhor, as lideranças, consideraram o aumento de ônibus um absurdo e convocaram uma assembléia. Afinal, éramos jovens, rebeldes por natureza e afinal, tínhamos que manter o título de Cidade Vermelha do Brasil. E foi aprovado o movimento Pula-Roleta. Ou seja, ninguém pagava e quando o ônibus chegava na Universidade, abriam a porta de trás e desciam sem pagar. Maravilha! Excelente! Bem... Quase! Funcionou para o primeiro ônibus, também para o segundo... Porém, os motoristas avisam seus gerentes, que se organizam com a Polícia e... Pronto! A Polícia Civil utilizou um pátio do Detran, próximo da universidade e montou o seu Comando. Os ônibus começaram a ir para lá. Dentro de um estava eu. Olhei pela janela e vi dezenas de ônibus, todo o horizonte visível repleto. Então subiu o Delegado e disse simplesmente: quem não pagar, vai preso! Dois estudantes, que eram da Convergência Socialista, disseram que eram visados porque eram “revolucionários” e não poderiam ser presos. Pagaram! E abandonaram seus “liderados”. Nos demais ônibus ocorreu o mesmo. Um desses fujões, que estava comigo, curiosamente também era de Catanduva, como eu. Todos os estudantes ficaram mudos. Estarrecidos. E perplexos! Aquilo não era precaução, aquilo era covardia! Espiei novamente pela janela, não contive um largo sorriso e expressei: quero ver prender toda essa gente! Todos começaram a rir. Riso nervoso, sem dúvida! O movimento acabou bem, ninguém foi preso. Os convergentes foram vaiados por vários anos pela covardia. Foi muito bom confrontar as “autoridades” e lutar por uma causa. Porém, naquela tarde, duas estudantes foram atropeladas na rodovia. Foi um dia muito triste. Um dia que eu tinha esquecido... Até ver na campanha aqueles que um dia fugiram... Mario Eugenio Saturno Tecnologista do INPE, professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva

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