Basta acompanhar o noticiário da imprensa para sentir uma realidade dolorosa: a violência desfigurou o Brasil, corroeu nosso estilo de vida e ameaça a fisionomia de uma pátria de irmãos.
O medo tomou conta de todos, na cidade e no campo. De repente, em poucas décadas, tudo mudou. Somos um povo com medo da própria sombra. Um povo que se sente ocupado pelas hordas de um particular apocalipse.
Qual a origem da violência? Por que tanta violência no mundo atual? O que fazer para acabar com a violência? São algumas perguntas que nos fazemos cotidianamente diante de acontecimentos que deixam a sociedade aturdida, como esse ocorrido em Franca, quando um ex-seminarista atirou contra a mãe, a mulher e os três filhos e em seguida se matou. A tragédia da Rua Ouvidor Freire, no Centro de Franca teve um saldo de quatro mortos e merece reflexões. Vivemos um tempo marcado por intensas contradições e, principalmente, por uma perigosa inversão de valores.
A sociedade está perdendo suas referências humanas e criando em seu senso comum, conceitos equivocados de amor, paixão, relacionamentos. As pessoas estão construindo mal seus sentimentos e vivenciando-os de forma confusa e infantil. Desataram-se os instintos, e a violência não repara suas vítimas. Por que, de repente, o ódio fechou o sorriso em tantas faces, e cada homem carrega seu pânico dentro do peito? Antes do dinheiro, da ascensão social ou de qualquer outro aspecto da vida material, deveríamos sim, buscar um saudável equilíbrio emocional.
Algo está efetivamente errado entre nós. A vida, não só perdeu o encanto, perdeu também o valor. Hoje é coisa banalizada. Mata-se por qualquer motivo e sem ele. Precisamos viver e propor com mais clareza e eficiência os valores éticos, espirituais e religiosos, cuja perda causou e causa enorme prejuízo para as famílias, a juventude e a sociedade em geral.
Alguém pode comentar que estou triste, amargurado, sem esperanças. Não, eu estou apenas com os pés no chão, vendo a realidade em cada canto, pelo simples fato de haver recebido a enganosa condição de ser gente, de ter raciocínio.
Dias antes dessa tragédia da Rua Ouvidor Freire, enquanto a população de todo o Brasil acompanhava a triste história da menina Eloá, morta pelo ex-namorado no desfecho de um seqüestro que durou mais de 100 horas, em Santo André, no ABC Paulista, um crime hediondo acontecia em Franca. Dois menores, 15 e 17 anos, planejaram e mataram a facadas e pedradas um colega e ainda atearam fogo no corpo, por causa de uma discussão qualquer.
Para esses casos, uma só pergunta: que razões teria alguém para se julgar dono da vida do outro, a ponto de decidir sobre a sua morte?
No caso dos menores, ainda há tempo. É preciso elaborar projetos de escolas que eduquem, alimentem e tratem das crianças para fazer delas adultos conscientes de sua condição humana. Nem animais, nem anjos. Seres humanos. O Brasil precisa de escolas. Escolas que brotem do chão, da noite para o dia, como cogumelos. Até que não haja mais uma criança nas ruas - com fome, com frio, aprendendo apenas o ódio como fórmula de sobrevivência e praticando crimes hediondos como esse, ocorrido em Franca.
CAPACETES
Em Bogotá, Colômbia, é obrigatório constar no capacete do motoqueiro o número da placa do veículo. Quem descumpre paga multa correspondente a R$ 2 mil. A medida reduziu a quase zero o número de assaltos e assassinatos praticados por motoqueiros. Em Franca, quase todos os dias ocorrem crimes dessa natureza. Fica a sugestão. Não há demérito em copiar o que é bom.
FRASE
Pára-choque de um caminhão que circulava começo dessa semana na Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso: “Se eu voltar, é porque Deus está comigo; caso contrário, estou com Ele”.
NEGATIVO
Já noticiei nessa coluna que a Rua General Osório - com asfalto novo incompleto e a retirada das lombadas - transformou-se numa verdadeira pista de corrida. Carros, ônibus e motos que trafegam sentido centro-bairro exageram na velocidade e, caso nenhuma providência venha a ser tomada pelo Departamento de Trânsito da Prefeitura, principalmente no cruzamento entre a Rua General Osório e Coronel Tamarindo, logo teremos uma tragédia nesse local. Preocupados, comerciantes e moradores preparam um abaixo-assinado que será entregue em breve ao setor competente da Prefeitura.
POSITIVO
Os aposentados têm agora o que comemorar. É que o Superior Tribunal de Justiça entendeu ser indevida a cobrança do Imposto de Renda sobre a complementação de aposentadoria. Conforme a decisão, a Fazenda Nacional terá de restituir dinheiro a cinco aposentados que reclamaram da tunga. E com correção monetária. A deliberação servirá de base para outros julgamentos do gênero, sendo aplicada automaticamente aos processos analisados pelos Tribunais Regionais Federais. Melhor ainda: a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional já avisou que não recorrerá.
BURACO ERRADO
O policial estava fazendo sua ronda, quando vê um sujeito tentando abrir a porta de casa, sem sucesso.
- O senhor mora aqui? - O policial pergunta.
- Claro - responde o sujeito, totalmente bêbado - mas não consigo abrir a porta. Esta droga de chave está quebrada!
- Mas isso não é uma chave! Isso aí é um supositório!
- Ihhh! - o bêbado se espanta - Onde será que eu pus a chave...
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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