Terminada a eleição de segundo turno, espera-se que o País volte à “normalidade”. Todos os detentores de cargos públicos que deixaram seus afazeres para se dedicar à campanha vitoriosa ou não, devem retornar o mais rápido possível aos seus postos e trabalhar com afinco, lembrando que o mundo vive uma crise e exige o esforço e o comprometimento geral.
Ainda estavam em apuração os votos de domingo e oportunistas já discutiam como o resultado pode alavancar esse ou aquele candidato de 2010. É preciso cuidado para não deflagrar prematuramente as sucessões estaduais e nacional, pois isso seria desgastante ao eleitor e um desserviço à Nação, comprometendo a eficiência dos pontos nevrálgicos da sociedade e da máquina pública.
Em vez de voltar as vistas para as próximas eleições, todos os participantes da grande maratona encerrada neste outubro, têm o dever de cumprir seus compromissos empenhados em campanha. Os eleitos não podem se esquecer daquilo que falaram para conquistar o voto. Prefeitos e vereadores têm de dar o retorno àqueles que confiaram em suas propostas. Os candidatos não eleitos também têm seu compromisso com aqueles que sufragaram seus nomes nas urnas e com a sociedade.
O melhor que têm a fazer é cumprir o dever cívico de movimentar uma oposição construtiva e fiscalizadora. Mesmo fora do poder e sem receber subsídios, devem fiscalizar os eleitos e, por meios próprios, exigir comportamento, ética e trabalho. Não se pode esquecer que um candidato, mesmo não eleito, é alguém com relativo peso e liderança na comunidade. Ele pode usar sua influência até para que suas propostas de campanha sejam executadas pelos eleitos.
Uma eleição deve ser encarada como um grande acontecimento cívico-social. Ganhar ou perder é apenas detalhe decorrente da existência do maior número de candidatos que o de vagas. Ganha quem reúne mais votos, mas todos têm compromissos com o eleitor e não devem ignorar isso. Uma oposição consciente é tudo o que a sociedade pode almejar para conquistar os seus ideais de uma vida melhor. E aquele que não se elegeu desta vez, se continuar o seu trabalho comunitário, poderá ter sua oportunidade na próxima eleição. Questão de perspectiva.
A democracia brasileira necessita do trabalho permanente de todos aqueles que um dia se apresentaram como candidatos a cargos eletivos. O fato de não terem sido eleitos não deve retirá-los da militância. Suas opiniões são importantes e ajudam a fazer a massa crítica para a evolução social. Fora dos cargos, não têm obrigações funcionais a cumprir mas, como cidadãos e lideranças de setores, têm o direito e até o dever de lutar pelo avanço social.
Temos um longo processo de aperfeiçoamento a cumprir. Não podemos dispersar aqueles políticos que, de alguma forma, podem contribuir para a conquista de melhores dias.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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