Ontem, 28 de outubro, foi o Dia do Funcionário Público. Nas repartições municipais, incluindo as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), nada funcionou. Quem precisou de atendimento médico teve apenas o Pronto-socorro "Dr. Janjão" como opção. Resultado: as pessoas que passaram por lá em busca de socorro foram submetidas a uma longa espera, que, em alguns casos, chegou a mais de três horas. O Comércio compareceu ao local ontem à tarde e constatou o problema.
Pouco depois das 16 horas, pelo menos sete pessoas já estavam aguardando o atendimento há duas horas. Como o acesso aos corredores internos não nos foi permitido, um cálculo do total de pacientes esperando por atendimento não teve como ser feito. O fato é que o intervalo entre o preenchimento da ficha no balcão e o chamado das enfermeiras foi o grande motivo de irritação dos pacientes.
O pespontador Douglas Machado de Araújo, morador da Vila Nicácio, era uma dessas pessoas inconformadas com a demora. Ele chegou ao "Janjão" às 12h40, acompanhando o sobrinho adolescente que estava com um corte no pé e havia sido chamado para a sala de curativos poucos minutos antes de falar com a reportagem. "Estou aqui desde antes da uma hora da tarde. Meu sobrinho entrou para o curativo agora há pouco. Devia melhorar muita coisa aqui. Se fosse uma pessoa com problema cardíaco, teria morrido", desabafou.
Uma dose extra de paciência também foi necessária para a sapateira Natália Sherman Silva Santos, residente no Leporace 2. Ela já havia sido atendida no domingo, com dores de cabeça, febre e vômitos. Os sintomas não passaram e ela retornou ontem. Chegou às 14h30 e foi chamada duas horas depois. "Até agora, só mediram a minha pressão, nem fui chamada para o consultório. Deixei meus quatro filhos sozinhos em casa para poder vir para cá", disse. Coincidentemente, a conversa foi interrompida pela enfermeira, que anunciou seu nome para a consulta.
Em razão do expediente suspenso na Prefeitura ontem, a única forma de obter esclarecimentos do secretário de Saúde do município, Alexandre Augusto Ferreira, seria por meio de seu telefone celular. Nenhuma das seis ligações feitas entre as 17 e 19 horas de ontem foi atendida.
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