Além de enfrentar o mal-estar e cansaço provocados pelo calor, moradores de diferentes regiões de Franca têm sido obrigados a travar outra guerra nos dias de altas temperaturas. Desta vez, contra baratas, escorpiões, pernilongos e ratos. Nos dias quentes, algumas espécies se reproduzem com mais facilidade; outras deixam seus abrigos e invadem as residências em busca de alimentos. A reclamação é geral e atinge pessoas nos Jardins Portinari, Dermínio, Consolação, Maria Gabriela, Pinhais e Progresso. A Prefeitura reconhece o problema, mas não pode intervir, apenas orientar a população (leia no apoio).
A dona de casa Rita Souza, 61, mora no Dermínio há 20 anos e sempre enfrentou invasão de insetos em sua casa durante o calor. Mas neste ano está assustada. “Com o calor, não tem como fechar janelas e portas, então eles entram. Coloco veneno e aparelhos na parede, mas não adianta. As noites são horríveis. Ligo o ventilador e passo bastante creme na pele, mas não resolve. Eles picam”. Para complicar, Rita não pode usar inseticida porque tem rinite alérgica.
Os vizinhos do mesmo bairro, que moram mais próximos ao córrego, vivem encontrando escorpiões e baratas em suas casas. Ontem, a costureira Rosângela Pereira, 33, achou um no sofá. Seu filho de 7 anos escapou por pouco da picada do peçonhento. “É insuportável. Tem muito bicho por causa desse córrego”.
A família da dona de casa Tatiane Clemente, 27, não teve a mesma sorte. Há um mês, a filha dela, de 9 anos, foi picada no pé por um escorpião. “Ela quase teve uma parada cardíaca. Ela falava: ‘ai, mamãe, eu vou morrer’. Uma semana antes, outro escorpião tinha picado minha cachorra”.
Tatiane disse que a situação no bairro é horrível. “É rato, barata, caranguejeira. A gente não tem sossego”. O pespontador Diógenes da Costa, 23, vizinho de Rosângela e Tatiane, até “coleciona” escorpiões. Mantém, em um vidro com álcool, cinco bichos, encontrados nos últimos 11 meses dentro de sua casa. “Tem muito bicho aqui”.
JÁ CHEGA!
No Jardim Portinari, Regina Rodrigues, 55, e o marido declararam guerra às baratas. Quando apagam as luzes, elas sempre aparecem. A cena causa arrepios. Elas andam pelas paredes, no chão ou na pia. Isso quando não entram voando. “No frio, elas sossegam, mas agora no calor aparecem todo dia. À noite, encontro na varanda, de quatro a cinco voando. Tenho nojo”.
Na residência, o veneno contra baratas já fica diluído numa garrafa pet. Uma vez por semana, Abel Rodrigues, 61, marido de Regina, utiliza uma bombinha para pulverizar paredes, portas, janelas e frestas de azulejos. Quando teimam em aparecer, o chinelo corre solto. “Mesmo com veneno, elas aparecem. É horrível”, disse Regina.
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