Em depoimento extra-oficial, ontem, a cabeleireira Valéria Freitas Rezende, 37, descreveu o marido Hélder Massucato Rezende como um homem amoroso. Definiu como comum a um casal seu relacionamento com ele, com desentendimentos, mas sem agressões físicas. Em um quarto da Santa Casa, o delegado Márcio Murari ouviu Valéria por cerca de 45 minutos. Revelou que ela estava emocionada, que falou pausadamente e tentou, por diversas vezes, segurar o choro. “Eu acho que ele cansou de tudo. Queria se matar e levar junto todo mundo que ele mais gostava”, disse ela ao delegado.
Valéria, os três filhos - Alexandre, Letícia e Júlia - e sua sogra, Lourdes, foram baleados na cabeça por Hélder na manhã de sexta-feira, 24, na residência dos pais dele. Lourdes morreu na hora. Hélder se matou em seguida. Alexandre e Letícia tiveram morte cerebral constatada no sábado. Júlia, irmã gêmea de Letícia, passou por uma cirurgia, na tarde de ontem, para descompressão do cérebro. “A cirurgia ocorreu bem e a pressão craniana diminuiu. Ela está retornando para o CTI Infantil”, disse a assessoria da Santa Casa em comunicado enviado, por e-mail, às 20h40.
A Murari, Valéria relatou como foram os minutos que precederam o crime, ocorrido na Rua Ouvidor Freire. Ela se levantou primeiro que o marido, às 8h45, preparou e tomou café e, em seguida, vestiu-se para ir ao trabalho. Hélder levantou pouco depois, trocou-se e foi para a sala. “Ela saía (para o trabalho) quando ele se aproximou. Ela acreditava que ele estivesse vindo para se despedir, como era seu costume. Ele sacou a arma e efetuou o disparo”. Valéria caiu e ainda ouviu outros dois disparos e um grito antes de desfalecer.
Ainda hospitalizada, mas consciente, a mulher disse ao delegado que não discutiu com o marido no dia, nem na noite anterior à tragédia e não vê motivação para os crimes. O filho mais novo do casal, Alexandre, 7, havia dormido com eles naquela noite. Já as gêmeas Letícia e Júlia dormiam em um quarto separado. Os avós da crianças em um terceiro quarto da casa. Valéria acredita que o marido atirou nela e seguiu para o quarto onde as meninas ainda dormiam. “Ela acredita que o grito que ouviu pode ser de uma das filhas”, disse Murari.
Valéria falou por mais de uma vez ao delegado que Hélder era um homem amoroso. “Ela quis salientar que ele era bastante amoroso, principalmente com relação às duas filhas (...). Ele também queria ficar perto dos pais, que apresentavam problemas de saúde, para auxiliá-los”.
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A mulher confirmou que o marido tomava medicamentos antidepressivos por indicação médica, fazia uso de bebidas alcoólicas e disse desconhecer se ele usava entorpecentes.
INVESTIGAÇÕES
Valéria foi a primeira testemunha da tragédia ouvida pelo delegado. O depoimento formal será tomado apenas quando ela tiver alta médica da Santa Casa. Outras pessoas da família, como o pai e parentes próximos de Hélder, também serão ouvidos. Para Márcio Murari, não há dúvidas de como o crime ocorreu. Resta, agora, tentar descobrir a motivação, que poderá ser revelada pelo depoimento de outras pessoas.
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