Certamente você conhece o desenho animado meninas superpoderosas. Três meninas voam o tempo todo, de um lado para outro, com superpoderes, demonstrando coragem, audácia e indignação. Defendem a sociedade de uma ladra de bancos e caixas de lojas.
Em casa, apresentam-se visivelmente mal-humoradas. A figura paterna praticamente inexiste e é indiferente para as meninas. O pai sempre aparece do cotovelo para baixo, sem rosto e personalidade, usando um avental e aspirador de pó. Dá ordens que não são cumpridas. O desenho termina com a prisão da ladra pelas meninas voando com o gesto característico de unidade e força deixando raios coloridos pelo ar.
Trata-se de um desenho feminista? Esse desenho tem a finalidade de demonstrar que entre os sexos deve haver uma disputa? Que a mulher não deve se preocupar com o lado materno, já que o “cuidar da casa e da família” é responsabilidade do homem, uma vez que no filme ele sequer tem rosto?
Qual é a personalidade do homem nesse desenho? O homem não significa nada. Estamos vivendo uma era em que a personalidade do homem passa por profundas transformações e com mudanças de papéis. Hoje em dia, muitas mulheres é que provêm o lar. O homem, macho da espécie, sempre procurou a caça e o alimento da família, enquanto a mulher cuidava da família e da prole.
As diferenças biológicas, físicas e psíquicas existentes entre os sexos são justificadas em parte por isso. Com as recentes alterações dos papéis, os jovens do sexo masculino vêm demonstrando sinais de “enfraquecimento” de comportamento e personalidade, o que certamente gera incalculáveis problemas para a sociedade. As nossas crianças dependem de “heróis”. Nós pais, ausentes de casa, somos cada vez mais consumidos pelo trabalho. Deixamos, paulatinamente, de ser modelo e “herói” para os nossos filhos.
Lembro-me sempre de minha infância. Você consegue se lembrar da sua? As brincadeiras com super-heróis sempre existiram. Nem por isso os papéis das figuras masculinas e femininas se misturavam em nossas mentes. Ambos tinham os seus respectivos valores e bem delineados.
Hoje, o homem forte que saía à caça e protegia a família vem dando lugar a um ser desfigurado, fraco, indeciso, que não sabe como se portar diante da figura da mulher: loura, jovem, magra, sexy, poderosa. Os homens estão se tornando mutantes, seres de outro planeta...
O meu filho gosta do Bob Esponja. Já reparou como ele é? É uma “criança” desfigurada. Ao invés de escovar os dentes, pega a escova e esfrega os olhos. Engole o sabão para tomar banho. Todos nós damos risadas disso, mas, no fundo, isso não tem nada de pedagógico. Em Os Simpsons a coisa se repete. As figuras paternas também estão desfocadas. O pai é um bobão. A mãe tenta cuidar de uma filha inteligente e de um filho bobão.
Todos nós precisamos de modelos e “os modelos” que estamos apresentando aos nossos filhos estão desfigurados. Pretendo apenas despertar o nosso senso crítico para uma possível fase em que os papéis masculino e feminino estão sendo redefinidos; as possíveis conseqüências e como poderemos ajudar a sociedade a atravessar essa fase. Todo extremo é perigoso...
Acir de Matos Gomes
Advogado, corretor de imóveis, adesguiano e palestrante
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