Ainda repercute em toda a mídia o resultado trágico do fim de um namoro em Santo André. Os apresentadores de televisão, travestidos de julgadores, já jogaram a culpa pela morte da garota para tudo quanto é lado. Mas se esqueceram de analisar um pequeno detalhe do fato.
Hoje em dia, a maioria das mães acha uma gracinha a sua filhinha já ter namorado. O pai, ao contrário, fica meio ressabiado com este tipo de comportamento. Para ele, a filha nunca arrumaria namorado. Só que a vontade paterna não pode muito nessa área, ele acaba perdendo o embate familiar.
Voltando ao caso em tela, o casal de namorados apresentava uma diferença de 7 anos na idade. O rapaz tem 22. A garota tinha 15. Pelas informações da família, eles namoravam há três anos. Trata-se de uma operação básica de subtração. Quando o namoro teve início, a menina tinha apenas 12 anos.
Qualquer manual de educação sobre criação de filhos traz a recomendação de que crianças devem brincar com outras da mesma faixa etária. Seguindo esse raciocínio, o namoro entre um menino de 19 e uma menina de 12 anos não apresenta maiores conseqüências. Tudo não passa de brincadeira.
Alguém vai até achar que isto é uma caretice, mas os pais não devem permitir nunca o namoro de uma filha de 12 anos com um rapaz de 19. Esse desencontrado relacionamento contraria o próprio ato familiar de educar. Sete anos só não faz diferença entre duas pessoas adultas. A incumbência de amparar uma criança cabe justamente à família.
O resultado da permissividade de relacionamentos amorosos (sim, essa é a palavra exata, não adianta querer tapar o sol com uma peneira, a criançada de hoje não namora mais) entre pré-adolescentes pode custar caro. No mínimo, uma gravidez fora de hora. Ou o absurdo do seqüestro recente, seguido de assassinato.
Na outra ponta da hipocrisia (epa! Essa é da lavra presidencial) está a atitude de um grupo de pais de alunos de uma escola do Rio de Janeiro. Um dos professores da unidade de ensino escreve poesias. Os alunos descobriram uma publicação dele contendo textos detalhando o relacionamento de namoro e a preferência sexual entre os adolescentes com menos de 15 anos.
Escândalo total. Alguns pais foram até a direção da escola e exigiram a demissão imediata do professor. Não admitiram que seus filhos, principalmente as menininhas, tivessem aulas com quem escreve textos sobre namoro moderno. A história sempre se repete: fazer pode, falar ou escrever, não.
Esses pais pensam que suas filhas vivem numa redoma, sem contato nenhum com textos de apelo sexual. Em suas casas não se assiste televisão. Ninguém vê comercial de cerveja, muito menos novela, seja ela de qual horário for.
Dentro da realidade, em toda escola com quinta série, faixa etária média de 12 anos, o namoro, ou qualquer outra denominação que lhe dão hoje em dia, corre solto. Dificilmente entre os meninos (calma, calma, não entenda mal!). Nessa idade, somente as meninas costumam ter namorado, mas preferem alguém mais velho. No entendimento delas, namorar um garoto de 12 não tem graça nem adrenalina. Ele é meio bobo ainda!
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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