Alexandre e Letícia têm morte cerebral


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DOR EM FAMÍLIA - Familiares carregam caixão da aposentada Lourdes Massucato Rezende, durante sepultamento dela e do filho Hélder Massucato Rezende, no Cemitério da Saudade. Mãe e filho sepultados juntos
DOR EM FAMÍLIA - Familiares carregam caixão da aposentada Lourdes Massucato Rezende, durante sepultamento dela e do filho Hélder Massucato Rezende, no Cemitério da Saudade. Mãe e filho sepultados juntos
Os médicos da Santa Casa confirmaram a morte cerebral de Alexandre Freitas Massucato Rezende, 7, e de sua irmã Letícia Freitas Massucato Rezende, de 10 anos. Os boletins médicos foram divulgados em duas etapas. Durante a manhã de ontem, o quadro clínico já era de coma irreversível. Para confirmar a morte cerebral, uma nova tomada de exames foi feita nas crianças. Por volta das 17 horas, foram anunciadas as mortes. Alexandre e Letícia foram baleados na cabeça pelo próprio pai, Hélder Massucato Rezende, na manhã de sexta-feira, numa residência da Rua Ouvidor Freire, no Centro. A mãe das crianças, a cabeleireira Valéria Gomes Freitas Rezende, 37, permanece internada. Ontem, ela foi informada pelos médicos sobre a morte cerebral de seus filhos e chegou a visitá-los. Sua outra filha‚ Júlia Freitas Massucato Rezende, irmã gêmea de Letícia, está em coma profundo no CTI (Centro de Terapia Intensivo). Todas foram atingidas com tiros na cabeça. Foi o médico neurocirurgião da Santa Casa, Sinésio Grace Duarte, quem confirmou as mortes cerebrais. “Desde a noite de sexta-feira, o Alexandre e a Letícia não apresentam nenhuma resposta a nenhum tipo de estímulo neurológico. Fizemos todos os exames que confirmam: clinicamente podemos dizer que eles têm morte encefálica”, disse. [FOTO2] Letícia e Alexandre estavam em quartos separados quando Hélder os baleou. De acordo com a polícia, Letícia e sua irmã gêmea Júlia Freitas Massucato foram as primeiras a serem atingidas. Elas estavam deitadas em suas camas, quando o pai entrou e atirou contra suas cabeças. Nos travesseiros das meninas, as marcas de sangue comprovam a violência. Já Alexandre foi atingido depois. O menino, de acordo com uma vizinha, teria gritado “pára pai, pára pai”. Após acertar o filho, Hélder encontrou a mãe, a aposentada Lourdes Massucato, 75, no corredor e a matou com um tiro à queima-roupa. Logo em seguida, atirou na própria na testa. (Veja seqüência no quadro) As balas do revólver calibre 32 usado por Hélder - que foi encontrado caído ao lado dele - transfixaram os cérebros das crianças, que perderam massa encefálica. Júlia e Alexandre chegaram a ser submetidos a cirurgias. Já Letícia não foi operada por não ter condições cirúrgicas. “A cirurgia não traria nenhum benefício para ela”, disse o médico. Os profissionais da Santa Casa, até o final da tarde de sábado, não deram detalhes sobre a situação da cabeleireira Valéria Gomes Freitas. Na coletiva realizada às 17 horas, os médicos disseram que ela acordou e foi informada sobre a gravidade do estado de saúde das crianças. Uma equipe composta por psicólogos preparou a mãe para dar a triste notícia. “Ela está em choque. Chorou muito, mas ainda está processando as informações”, resumiu o médico. Valéria deverá ficar em observação no CTI até a tarde de domingo. Depois, será levada para o quarto. Segundo o médico, ela se recupera bem. “Está consciente e conversando. Seu quadro clínico evolui muito bem. Num prazo de 24 ou 48 horas, ela já estará no quarto”, disse Sinésio. O hospital espera agora uma posição da mãe sobre a doação dos órgãos das crianças. Apenas ela pode decidir. “Não vamos pressioná-la. Por enquanto, as crianças estão mantidas por aparelhos”, explicou o médico.

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