Quem nunca contou uma mentirinha? Segundo especialistas, seria impossível para o ser humano viver em sociedade se todos fossem 100% sinceros. O psicólogo João Doná explica que cada um mente de acordo com sua estrutura psíquica. “As razões que levam alguém a mentir variam caso a caso. Pode ser por interesse, para se defender contra a realidade, por problemas de auto-estima, etc.”, disse. Os problemas começam quando as histórias inventadas prejudicam alguém, quando a pessoa não percebe o que faz ou percebe, mas não consegue parar.
Wanir José da Silveira, delegado-assistente da Seccional de Franca e comandante do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil na região, trabalha há 19 anos tentando identificar quando um criminoso fala a verdade. Para ele a experiência é fundamental nessa hora. “Há cursos na academia de polícia para ensinar os policiais a interrogar suspeitos, mas só no dia-a-dia você aprende a reconhecer as mudanças no rosto e na fala. A pessoa geralmente fica insegura e depois de algumas horas cai em contradição”, contou. O delegado lembrou que já chegou a passar 26 horas seguidas ouvindo suspeitos. O caso ocorreu há cerca de 14 anos em Patrocínio Paulista com a prisão de uma quadrilha de assaltantes a banco.
De acordo com a psicóloga Fernanda de Paula, reconhecer um mentiroso pode mesmo não ser fácil. “Geralmente quem tem uma estrutura psíquica perversa consegue se controlar facilmente”, explicou. Em pessoas normais, no entanto, o corpo emite sinais involuntários de que você não fala a verdade.
DEDOS-DUROS
Para ajudar a reconhecer os mentirosos que andam à solta por aí, podem ser usados alguns artifícios. Um deles é o famoso detector de mentiras, ou polígrafo. Ele é um aparelho que mede as reações do interrogado enquanto ele responde a uma série de perguntas. As alterações no ritmo das batidas do coração, na respiração e na quantidade de suor das mãos são analisadas por técnicos que, de acordo com especialistas, são capazes de avaliar com 70% de precisão se a pessoa fala ou não a verdade. No Brasil, ao contrário dos EUA, os exames do polígrafo não são associados a investigações criminais.
O Soro da Verdade é outra técnica usada contra a mentira. Foi especialmente utilizado por espiões durante a Segunda Guerra Mundial para arrancar informações dos inimigos. Muitas substâncias químicas fizeram parte de sua composição ao longo da história, inclusive drogas conhecidas como LSD (ácido lisérgico dietilamida) e ecstasy. A idéia é desinibir o indivíduo, retirando barreiras morais e éticas e deixando-o indefeso para que responda a qualquer pergunta sem nenhum tipo de restrição. Do ponto de vista científico, o soro da verdade não é totalmente confiável porque algumas pessoas podem mascarar a realidade mesmo sob os efeitos dessas drogas.
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