Filhos preparados, pais muito satisfeitos


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Para muitos estudiosos, o fenômeno da empresa familiar é um capítulo à parte dentro de qualquer estudo sobre economia. Neste parágrafo, especialmente, a sucessão merece uma atenção ainda maior. É, invariavelmente, no momento de deixar o comando ou até mesmo muito antes disso acontecer que um empresário pode selar o futuro da companhia que criou. A diferença entre escolher filhos e parentes próximos ou contratar um profissional externo para assumir o controle pode significar a continuidade sadia do negócio ou seu fim inglório em pouquíssimo tempo. Para o empresário Fabiano César Arantes, 28, a tarefa de, ao lado de três irmãos, assumir o que o pai havia erguido foi facilitada pela longa convivência e intimidade com o negócio. Ele ainda lembra de quando brincava com irmãos entre as caixas de biscoitos e balas estocadas para serem vendidas nas ruas de Franca. Em 1972, Edison Arantes, o pai, tomaria a decisão de comprar uma linha periférica para distribuição de doces, próxima à Avenida Brasil. Para Fabiano estava traçada desde então a continuidade da Chok Doce e a sucessão da qual participariam, além dele, os irmãos Juliano, Júnior e Giovane. Hoje a empresa segue independente da vontade de seu fundador. Com 300 funcionários diretos e indiretos, a Chok Doce representa as marcas mais conceituadas em chocolates, bolachas, vários tipos de doces, entre outros produtos. Na opinião de Fabiano, responsável pela gestão das lojas da empresa, a idéia de sucessão começou a ser formatada ainda na infância, com as brincadeiras no depósito. “Já nessa época todos os irmãos participavam. Ajudavam a atender os clientes, carregar as caixas”, disse ele. “Crescemos ouvindo a experiência do meu pai e creio que essa foi a nossa grande escola”. FILHOS BEM PREPARADOS O filho do empresário Riad Salloun, 63, dono do Hotel Tower, no Centro de Franca, teve seu futuro traçado tanto pelo gosto à atividade do pai quanto pela tradição familiar. Na Síria, onde nasceu Salloun, o primeiro segue o segundo. Seja como for, Riad Salloun Filho herdará definitivamente a empresa que hoje administra, além de outros negócios da família, como o ramo da construção civil. “Meu filho me acompanha em tudo o que faço e me sinto confiante em passar tudo para ele”, disse Salloun pai. Outro que confia no potencial dos filhos é o empresário Geraldo Ribeiro Filho. Ao criar seu primeiro par de calçados há 18 anos, tudo o que queria era ter uma vida modesta, sem nunca imaginar que seu modelo de calçado seria conhecido internacionalmente e sua fábrica, a Opananken, colocaria 1.200 pares de sapato por dia no mercado. Mas aos 63 anos está deixando o comando da empresa para os filhos Ygor, Vainer e Alexia. Geraldinho, como é mais conhecido, disse que hoje aceita melhor o fato de sair de cena para que os três dêem continuidade ao trabalho iniciado no final dos anos 80. Ao avaliar o que torna difícil a administração de uma empresa nascida e mantida sob o domínio de uma mesma família durante anos, Ribeiro ponderou que negócios pequenos para uma família numerosa quase nunca terão como sobreviver. “A dificuldade está em a empresa parar de crescer e a família crescer muito. Aí são interesses para administrar, mas o bolo é pequeno para dividir”, avaliou, citando o sucesso dos filhos, que já possuem suas empresas, à exceção da filha Alexia, que administra as lojas da marca. “Se eu morrer hoje, meus filhos já estão encaminhados, com seus próprios negócios”. Para Ygor Alves Ribeiro, 30, a relação de juventude com experiência gera resultados positivos. “Às vezes a gente vem com alguma idéia diferente, como quando propus aumentar a produção e meu pai provou que não seria o ideal. Por outro lado, também já provei que algumas coisas deveriam ser mudadas”, disse. “Nós sabemos que certos valores nunca vão mudar, ao passo que certas maneiras de administrar a empresa vão mudando; isso é natural”, acrescentou Vainer Ribeiro.

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