O grande problema da sucessão em que se envolve uma empresa familiar é o paternalismo exagerado que impede empresários de enxergarem o melhor caminho para suas companhias. A tese é do professor Carlos Bruno Bettarello, que ainda acrescenta a esse quadro o fato de os patronos ou fundadores dessas empresas as terem como suas, o que nem sempre é verdade.
Bettarello, 62, é mestre em administração e gestão, graduado em Direito e professor universitário na Uni-Facef e Unifran. Fala com conhecimento de causa. Para sua dissertação de mestrado, pesquisou mais de 50 empresas com perfil familiar estabelecidas em Franca.
Através de seu trabalho concluiu que, apesar das mudanças no mercado e na economia, empresários ainda adotam a mesma prática na hora de se afastar de suas empresas, criando a imagem de um sucessor que seja a sua própria, o que nem sempre dá certo.
“Aí ele manda o filho para Harvard, para centros na Europa, mas esquece que a cultura do filho é diferente”, disse Bettarello.
“Peca-se muito nesse sentido porque não é querendo que o filho seja um bom diretor, um bom gerente, que ele será. É preciso entender que a sucessão não é para ele, mas para a empresa”.
Para entender comportamentos assim é preciso se atentar que aspectos emocionais pesam muito mais que a razão nesse momento. É a segurança paternal, segue o professor, o medo de que o negócio caia em mãos estranhas. “Essa passagem é complexa, mas é preciso ter em mente a necessidade de colocar profissionais capacitados, talentos executivos e não usar de paternalismo nessa hora”.
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