Um espetáculo degradante


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Precisamos nos conscientizar que os tempos são outros, e que não existe mais “força sindical”. Os trabalhadores estão sem rumo, no meio de uma “guerra” de interesses e corrupções. Nem preciso dizer que o presidente da Força Sindical está em meio a um escândalo de corrupção. O Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho”, é acusado de dirigir um esquema de desvio de dinheiro do BNDES. Os sindicatos usam os trabalhadores para finalidades políticas, sem o menor escrúpulo. Falo isso por experiência própria, pois a minha categoria sofre com “conchavos” feitos pelos sindicatos com os patrões. As negociações, nunca saem favoráveis aos trabalhadores. O exemplo disso é o “banco de horas extras”. Uma prática que já existe em todos os setores de produção. Os empregados são obrigados a trabalhar mais e as empresas, com menos trabalhadores, têm lucros maiores à custa desse trabalho cada vez mais brutal, semelhante ao que faziam os escravos. Acabou-se a jornada fixa, os trabalhadores são utilizados de acordo com a necessidade da produção: para acelerar, são impostas jornadas maiores e quando a produção cai, deixam os trabalhadores em casa. Este banco de horas vem sendo imposto desde a década de 1990 nas empresas, com acordos sindicais entre a CUT e a Força Sindical. Enquanto isso, os trabalhadores vêem crescer muito as doenças e os acidentes de trabalho. Os bancários recuaram diante de uma imposição judicial para suspender a greve enquanto se negocia as reivindicações. Já sabemos onde vai dar isso e, certamente, não será favorável aos trabalhadores. A decisão de se retroceder da greve foi acertada, pois não existe mais uma força sindical capaz de peitar os banqueiros e chegar a uma negociação justa para ambas as partes. Nós, os trabalhadores deveríamos romper com os sindicatos, pois já são instituições falidas para nós. Não temos mais representatividade. Ao contrário. Estamos sendo usados e manipulados por interesses escusos. Da minha parte estou pensando seriamente nisso. Quem sabe se rompermos com esses negociadores abjetos, não conseguiremos despertar os verdadeiros líderes de categorias, como os do passado, que sabiam negociar com dignidade, sem conchavos unilaterais. Rosa Santa Batista Conselheira deste jornal -Franca - SP

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