Todos nos comovemos com os recentes fatos ocorridos em Santo André (SP). Especialmente, porque neles estavam envolvidos jovens com todo o futuro pela frente. É muito lamentável que a desestruturação familiar tenha levado a atitudes tão comprometedoras. Agora, pergunta-se o que acontecerá com os envolvidos?
Sem dúvida, podemos afirmar que os três jovens diretamente envolvidos tiveram suas vidas definitivamente marcadas. O jovem autor dos disparos está na prisão e, certamente, responderá pelos seus atos. A menina que teve o maxilar atingido não se esquecerá jamais dos momentos vividos durante o seqüestro. E, infelizmente, a jovem pivô do seqüestro teve a sua vida física abruptamente ceifada. As famílias, por sua vez, terão sempre presentes as lembranças dos fatos. E aqui é que os fatos ganham um novo rumo.
A família da jovem que desencarnou teve um gesto de grandeza moral. Sim, porque, ao invés de se prenderem a uma lamentação justa, mas inócua, a família resolveu doar os órgãos da falecida para serem transplantados em doentes que estavam na fila de espera. Sem dúvida, uma atitude de desprendimento, de compreensão, de grandeza de um gesto de amor. É a morte, ainda que lamentável, salvando a vida daqueles que se agarram a um fio de esperança. E qual é a visão do Espiritismo quanto à doação de órgãos?
A Doutrina Espírita é inteiramente favorável que se doem órgãos quando do falecimento de alguém. Tanto o próprio indivíduo por sua livre vontade, pode antecipadamente doar os seus órgãos, quanto os familiares podem optar pela doação após o falecimento. Este é um gesto estimulado pela Doutrina Espírita, especialmente por ensinar que a vida verdadeira é a do espírito e não a do corpo.
Diz mais o Espiritismo: a retirada de órgãos de um cadáver para a doação reverte-se em benefício do espírito que habitou o corpo que, agora, é cadáver. Portanto, não há porque fugir à doação.
Evidentemente que, quando se fala em doação, pensa-se em pessoa que já está desapegada de valores meramente materiais. Porquanto, aquele que é incapaz de se desapegar de uma simples peça de roupa, ou de um bem material qualquer, este ainda tem sua mente vinculada às coisas da Terra e pode acontecer de não se sentir bem com a doação do corpo que lhe pertencera. Mas, são casos excepcionais. Não são a regra.
Assim, embora lamentando profundamente o que aconteceu em Santo André (SP), temos de ver o lado positivo criado pela família doadora que perdeu a vida de um ente querido e, desprendidamente, salvou outras cinco. Perfeitamente de acordo com o ensinamento do Evangelho: “Quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á, mas, quem a perder, por amor a mim, salvá-la-á”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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