Em um depoimento que durou três horas e meia, o conselheiro fiscal da Afet (Associação Francana de Atletismo), Carlos Roberto Coelho, assumiu, ontem, no Ministério Público, a responsabilidade sobre as irregularidades na gestão dos recursos públicos que são repassados à associação por meio da Feac (Fundação do Esporte, Arte e Cultura). Afirmou que a utilização de nota fiscal fria na prestação de contas da associação não ocasionou desvio de dinheiro público, mas ocorreu somente para acertar o caixa da associação.
Coelho tirou, ainda, a responsabilidade da diretora da Divisão de Esportes da Prefeitura, Maryssol Gaudenzi - até então, principal suspeita da Promotoria.
Coelho foi intimado a depor pelo MP por ser um dos responsáveis pela associação, investigada por suposto desvio de recursos. De acordo com o promotor de Justiça da Cidadania, Paulo Borges, a Afet emitiu um cheque no valor de R$ 2 mil nominal a uma loja que revende suplementos alimentares em Franca. Mas a nota que justificava o pagamento era “fria” e o dinheiro não chegou ao estabelecimento.
Borges, então, descobriu que a nota foi emitida a um atleta, que procurou a loja a pedido de Maryssol. Ela passou a ser investigada pelo MP.
Ontem, Coelho inverteu toda a situação. Diante do promotor, negou que tenha havido desvio e assumiu a responsabilidade pelas irregularidades. Afirmou que Maryssol de fato pediu a nota, mas “por tabela”. Coelho disse ter solicitado ao tesoureiro da Afet, Rodrigo dos Santos, que ele conseguisse o documento para justificar uma retirada de R$ 2 mil junto à Feac. O recurso seria utilizado para pagar um treinador da equipe de atletismo.
Rodrigo repassou o pedido a Maryssol que, por sua vez, requisitou a nota a um atleta. “Como eles não tinham recursos próprios para o pagamento, decidiram fazer este acerto, totalmente irregular, para que o dinheiro teoricamente sobrasse e fosse utilizado para pagar o funcionário com recursos públicos”, disse Paulo Borges.
O promotor disse que ainda é prematuro dizer o que poderá acontecer, agora, com Coelho, que foi procurado, mas não encontrado pela reportagem para falar sobre o assunto. Nos próximos dias, segundo Borges, a Promotoria fará análise e peritagem de todas as prestações de contas da Afet, entre os meses de abril e setembro, para averiguar se a prática vinha sendo utilizada com frequência.
Quanto a Maryssol, ela continua sendo investigada, mas, de acordo com Borges, a confissão de Coelho “tira em parte” o peso da denúncia contra a diretora da Divisão de Esportes. Procurada, ontem, para repercutir os desdobramentos do caso, Maryssol, aparentemente por problemas em seu telefone celular (ela dizia “alô, não estou de ouvindo” repetidas vezes), não pôde ser entrevistada.
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