Vizinhos chocados com a tragédia em família


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A tragédia envolvendo a família Massucato chocou todos os vizinhos da Rua Ouvidor Freire. Entre as pessoas que olhavam abismadas para a fachada da casa, uma pergunta: como aquele menino que cresceu na rua, amigo dos vizinhos e sempre atencioso, que sonhava em ser padre e tinha estudado teologia e filosofia, conseguiu realizar um ato de tamanha brutalidade? Hélder era considerado uma pessoa carinhosa, amiga e bastante querida por todos. Ao lembrar dele, alguns dos conhecidos citavam a atenção que ele dava a um irmão que tinha problemas mentais, morto em meados da década de 1980. “Ele cuidava muito bem do irmão, muito bem mesmo”, disse um deles. A desistência do sacerdócio não foi informada por familiares, mas conhecidos citaram um fato que pode ter contribuído para isso. Segundo eles, quando ainda jovem, Hélder teria atirado com uma espingarda em vários pombos que habitam a Igreja Nossa Senhora da Conceição, o que lhe rendeu uma chamada de atenção por parte dos padres. Suas atitudes às vezes eram consideradas estranhas, mas nada que indicasse que ele chegaria ao ponto que chegou ontem. Nos últimos dias, Hélder teria extrapolado, andando pelas ruas com aspecto largado, como se fosse um mendigo. “Eu conhecia ele desde que era criança. A gente tinha um contato de vizinhos. Da última vez eu até me assustei ao vê-lo. Perguntei a outro vizinho, que o conhecia também, o que estava acontecendo, mas nunca imaginei uma tragédia dessa”, disse Douglas Biano, amigo da família. Uma vizinha dos pais de Hélder disse que o havia encontrado dias antes na porta da casa da Ouvidor Freire. Também amiga de infância, afirmou que ele a cumprimentou de forma eufórica, o que não era comum. “Eu até achei estranho. Me cumprimentou com um entusiasmo muito grande”. O motivo da alegria talvez fosse o retorno à casa dos pais, ocorrida 15 dias antes da tragédia. De acordo com familiares, o objetivo deles era ajudá-lo a enfrentar a depressão que o atingia. Uma demonstração desta depressão pode ter sido dada a outro vizinho, dessa vez de sua antiga casa, no bairro Samello Woods. Hélder passeava com o filho Alexandre quando encontrou o tal vizinho, que também estava com uma criança de idade próxima. Em determinado momento, o filho teria falado que odiava Hélder, o que fez com que ele se sentasse no chão e começasse a chorar. “Você está vendo? Ninguém gosta de mim”, teria dito o ex-seminarista. Outras atitudes de Hélder não eram tão inofensivas e assustavam os moradores do Samello Woods, como o fato dele passar com um de seus três jipes sobre gramados, jogar cachorro do muro e ter tentado pular do telhado da casa em que residia.

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