Antes de se mudar para a Rua Ouvidor Freire, a família de Helder Massukato Rezende, 46, morava num casarão rosa, com portões verdes, no Jardim Samello Woods, há pelo menos quatro anos.
Vizinhos daquele local disseram que o casal parecia estar separado, pois Valéria levava e buscava os filhos na casa todos os dias, mas aparentemente não dormia lá. Nos momentos em que viviam juntos, os moradores do quarteirão não ouviam discussões dos dois nem com os filhos. Embora tivessem pouco contato e a família aparentasse conviver bem, vizinhos próximos disseram que Helder era educado, os cumprimentava, mas era perturbado e já teria tentado se matar pelo menos duas vezes. Foi chamado de “doido” por pelo menos três pessoas que moram na rua.
Segundo vizinhos do lado do imóvel, ele ficou meses com pinos nas pernas porque teria pulado do telhado tentando suicidar. Em outra ocasião, há cerca de dois anos, teria sido socorrido pela ambulância por ter tomado veneno.
A assistente social Loredana Moreira, 47, divide muro com a residência dele, e disse que percebia alterações no comportamento de Helder. “A nós dava impressão de ser mentalmente perturbado. Raciocinava, conversava, nos cumprimentava, dirigia, não era 100% normal, não trabalhava, mas nada que se dissesse ‘nossa não internaram essa pessoa ainda’”.
Loredana disse que presenciava atitudes estranhas dele. “Ele sempre colocava fogo no mato do terreno, jogava o cachorro pelo muro na rua, além de passar com o jipe dele em cima do canteiro central da avenida. Mas apesar disso, parece que os filhos gostavam de ficar com ele. Estavam sempre brincando de bicicleta na rua”.
Thales Henrique, 18, funcionário de uma lan house, mora da mesma rua da casa de Helder. Apesar do pouco contato, ficou chocado com o crime. “Ele ficava mais em casa. Não aparecia muito. Os filhos vinham, andavam de bicicleta na rua. Mas nunca ouvi discussões. Com a gente era muito gente boa”, disse. “Todo mundo chamava ele de doido, mas se matar, matar a família dele não esperava. É um choque”.
ATUAL
O editor de fotografia do Comércio, Thiago Brandão, 26, mora a um quarteirão da casa onde Helder morou nos últimos anos, e teve um encontro com ele, na rua, no último sábado. O rapaz já dava sinais de que algo não andava bem. “Ele passou com o filho dele de bicicleta e falou para ele brincar com o meu filho, o Artur, mas o menino virou para ele e disse: ‘eu te odeio’ e saiu correndo”.
Thiago disse que Helder ficou desesperado. “Depois disso, ele se queixou para mim que não sabia o que fazer, que o menino estava daquele jeito com ele. Ele chorou e ficou atravessando a rua de um lado para o outro. Pediu ainda que eu rezasse por ele. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer”. Uma semana depois da conversa, Thiago descobre a tragédia que o vizinho provocou.
Ontem, por volta das 16 horas, a casa estava fechada. Havia brinquedos das crianças no chão, dois jipes estacionados e um cachorro pequeno.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.