Não haverá pacote


| Tempo de leitura: 4 min
No Brasil toda vez que alguém do governo diz que não há a menor chance de termos algum problema, o problema sempre aparece. É assim na saúde, na segurança pública, na educação e principalmente na economia. Por aqui, quando algum político aparece na televisão em horário nobre e garante peremptoriamente que tudo está sob controle, logo em seguida o que se vê são reféns sendo assassinados, aviões caindo e matando centenas de pessoas, bolsas despencando e moeda estrangeira ‘ficando pela hora da morte’. Nas terras de Cabral, quando um gestor público afirma que não há com que se preocupar, os serviços públicos e essenciais param por greves, juros sobem, linhas de crédito são extintas e o povo sempre ‘paga o pato’. Os sinais de iminente catástrofe se tornam mais preocupantes quando o homem a garantir a absoluta normalidade das coisas é nada mais, nada menos que o nosso presidente da República. Basta Lula afirmar que determinado fato não tem a menor chance de se tornar realidade para que em poucas horas os brasileiros conheçam a face do improvável. Foi assim no mensalão, foi assim nas crises com os vizinhos da Venezuela e companhia limitada e não tem sido diferente quando o assunto é crise econômica mundial. A bem da verdade foi assim até quando nosso guia resolveu garantir que seu time do coração não iria ao subsolo do campeonato brasileiro. Deu no que deu. Especificamente sobre a crise financeira mundial, das duas, uma: ou Lula é mal informado ou Lula sofre de algum distúrbio de percepção da realidade, porque não é possível que todo mundo esteja errado quanto aos impactos da atual crise norte-americana e somente ele e sua equipe continuem acreditando na tal blindagem da economia brasileira. Só nesta semana o esquenta-esfria do mercado solapou bilhões de dólares da economia nacional e tem deixado os empresários e os trabalhadores à mercê dos caprichos do mercado financeiro e do enfadonho discurso ‘amantegado’ de que nada nos abalará. O governo insiste que não há com que se preocupar e que a crise não é nenhum tsunami e que se chegar ao Brasil não passará de uma marolinha. Sinceramente, o tamanho da onda pouco me importa, mais importante me parece saber se realmente somos capazes de nadar. Por dever de ofício algumas coisas eu tive que aprender, e uma delas é que supositórios funcionam mais rapidamente que drágeas, que nada mais são do que pílulas açucarada para disfarçar o sabor amargo do medicamento. Observando as mais recentes ações da equipe econômica de Lula tem-se a percepção de que o governo usa drágeas para tratar a crise, mas analisadas sob a ótica do brasileiro trabalhador e pagador de impostos nota-se na verdade que Mantega e sua equipe usam e abusam dos supositórios. Muito mais pelas evidências da via de administração do que pelos resultados efetivamente obtidos. Seguindo os passos de seu pseudo-adversário, Fernando Henrique Cardoso, Lula criou condições para que as arcas da velha viúva voltem a ser usurpadas por banqueiros e especuladores. Numa clara evidência de que o discurso não está coerente com a realidade e de maneira sutil como um dinossauro na loja de cristais, o governo publicou medida provisória autorizando bancos oficiais a que comprem bancos privados em dificuldades, gerando com isso ainda mais insegurança no mercado. Os números parecem fugir do controle e a teatral forma de dizer que tudo está na mais perfeita ordem não se cansa de ser aplicada. E mesmo apesar de tantas decisões tomadas em razão da crise, Lula e seus intelectuais insistem na tese de que não haverá pacote. Observando os últimos movimentos da equipe econômica e seus discursos, devo admitir: realmente não haverá pacote, apenas trouxas. ‘DELIRIUS POLITICUS’ Mantendo-se os números das atuais pesquisas de intenção de voto em São Paulo, as perspectivas para 2012 parecem se consolidar cada vez mais em prol da candidatura de Dilma Roussef. Sendo assim, mostra-se mais uma vez que o PT paulista precisa rever alguns conceitos e posições. PRIVATIZANDO O LUCRO... ... e socializando os prejuízos. Essa é a máxima nesses tempos de crise. Empresas administradas por especuladores e não por empreendedores lançaram-se no mercado fazendo graça com dinheiro alheio e agora precisarão do colinho quente do governo federal. E quem diria, o esquerdista Lula abrindo o cofrinho para o mercado capitalista. Sinal dos tempos, querido leitor. LIBERDADE DE IMPRENSA Não devia, mas vou escrever sobre o caso Eloá. Quero comentar especificamente a respeito do comportamento de alguns veículos de comunicação que como sempre usam e abusam de situações como aquela. Preciso registrar minha indignação com as várias vezes que o seqüestrador foi entrevistado ao vivo durante as mais de cem horas de cativeiro. Um total desrespeito com as vítimas, com o trabalho da polícia e com o telespectador. AO MESTRE COM CARINHO 1 Um grande número de leitores deste Comércio procurou o colunista para registrar sua opinião sobre a última coluna. O colunista agradece as manifestações de apoio e mais uma vez reitera o apoio ao verdadeiros mestres da arte de ensinar. AO MESTRE COM CARINHO 2 Entre os leitores da coluna de sexta-feira passada está Roberto, que registrou em correio eletrônico sua insatisfação em ver na mesma página uma matéria sobre a atriz Márcia Imperator. Como ex-membro do Conselho de Leitores, sei que não houve nenhuma intenção do jornal em criar tal polêmica. Na dinâmica do jornal a diagramação muitas vezes leva a situações inusitadas. O que não derruba o mérito da observação. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários