Senhor é alimentado com garrafa plástica de 600 ml


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SEM REAÇÃO - Vítima de traumatismo, Juarez Lemos de Oliveira é visto deitado na casa de parentes. Ele não fala e não anda
SEM REAÇÃO - Vítima de traumatismo, Juarez Lemos de Oliveira é visto deitado na casa de parentes. Ele não fala e não anda
Juarez Lemos de Oliveira, 51 anos, não fala, não anda e precisa de atenção 24 horas por dia. Para se alimentar, depende de uma garrafa de plástico de 600 ml usada como mamadeira. Ele vive numa casa simples de três cômodos no Jardim Esmeralda, a qual divide com seu irmão Manoel Lemos de Oliveira, 47; a cunhada Vanderléia Lemos de Queiroz, e seus três sobrinhos, de 18, 12 e 10 anos. Com uma renda de R$ 800, a família não consegue cuidar de Juarez e ainda pagar as contas em dia. Eles estão desesperados. Depois de passar três meses desaparecido, em setembro, Juarez foi encontrado pelo irmão internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto com traumatismo crânio-encefálico grave. Um mês depois, ele recebeu alta. Sem ter para onde ir, foi levado para a casa do irmão que possui apenas três cômodos (quarto, cozinha e banheiro). “A gente não tinha condições de recebê-lo, mas também não poderíamos deixá-lo na rua. Acabamos trazendo ele para cá, mas não podemos continuar com ele. Não temos a menor condição de cuidar do Juarez direito”, disse Vanderléia. Sem falar ou se locomover, Juarez passa os dias deitado na cama do sobrinho, que atualmente dorme num sofá na cozinha. Sua comida precisa ser triturada, formando uma espécie de papa. Como tem dificuldades para engolir, a família coloca a mistura em uma garrafa plástica de 600 ml e depois a introduz na boca de Juarez. O líquido sai por meio de um furo feito na tampa da garrafa. “Ele não quer usar garfo ou colher. Não sabíamos o que fazer. Foi quando tive a idéia de usar a garrafa. Mas é muito ruim”, disse Vanderléia. Para ela, o pior mesmo é lidar com a falta de condições financeiras da família e de espaço dentro do imóvel. Na última quinta-feira, eles cozinhavam num fogão de lenha por não terem dinheiro para comprar um botijão de gás. “É muito difícil a gente querer ajudar e não poder. Meu tio era andarilho, vivia de cidade em cidade. Há muito tempo não convivíamos com ele, nem sabemos como se machucou. Agora está aqui e não está bem”, disse a sobrinha Júlia Estela Lemos de Oliveira, 18. Para poder continuar a cuidar de Juarez, os parentes pedem a ajuda da comunidade, principalmente com roupas, lençóis, fraldas de uso adulto, leite, frutas e, se possível, um colchão d’água. “O colchão em que ele está é muito velho, mesmo trocando a roupa de cama fica um cheiro ruim”, disse Vanderléia. Com um encaminhamento da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social, a família procurou atendimento na Casa São Camilo de Lelis, que cuida de pacientes convalescentes na cidade, mas não encontrou vaga. “Estamos sem saber o que fazer”. A família mora na Rua Maria Victória Bohrer, 490, Prolongamento Jardim Esmeralda.

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