Como Deus permitiu e eu prometi, lidas todas as matérias de mais um final melancólico de competição, conhecidos todos os constrangimentos de diretores, atletas, credores, funcionários, comissão técnica e, sobretudo, distanciado temporal e suficientemente das tristezas de torcedor, volta parte da razão e se torna possível equilibrar um discurso sobre a gloriosa Associação Atlética Francana.
Quero, ainda assim registrar meu descontentamento que, acredito, seja o de todo torcedor com o rumo e situação em que o clube se encontra, não só patrimonial, econômica e financeiramente falando do principal braço da entidade, o futebol. Acredito até que toda a cidade ainda mantenha um certo bem-querer pela Francana, mesmo os anti-futebol, os tarados por basquete e até as mulheres que, no fundo no fundo, querem que o clube vá bem para que seus maridos estejam sempre de bom humor.
Penso que uma declaração judicial de insolvência civil poderia ocasionar a abertura da “caixa-preta” e colocar para fora a real situação do clube, com a apresentação em juízo dos reais credores, aqueles que têm títulos de créditos nas mãos. Aí, após um eventual leilão judicial dos bens ou do seu único bem, proceder-se-ía o rateio.
Poderia ser até o município como já ameaçou uma vez, a desapropriar, arrematar o bem imóvel e principal patrimônio do clube - o Estádio “Cel. Nhô Chico” - ou adjudicá-lo após saneamento do passivo; e se faria isso com segurança, coisa que por falta, impediu que acontecesse recentemente.
O prefeito prometeu um tanto em prestações, mas nada andou em função do clube, não apresentou documentação adequada e não realizou prestação de contas confiáveis.
A partir destas decisões jurídicas, a Francana poderia recomeçar do nada, quem sabe até fundir-se ao Palmeirinhas, da Santos Pereira que, mantém time na terceira divisão, quem sabe com novo nome para novas jornadas. Espero que a “italianada” do Palmeirinhas não me bombardeiem, mas, é tudo pelo bem do esporte da cidade que está para morrer no que diz respeito ao futebol profissional.
O futebol? Deus me livre dessa coisa ruim e feia que assistimos ano a ano. Os a-tuais diretores, porque dos anteriores prefiro não falar, merecem realmente os parabéns e não temos porque criticá-los. Conseguiram manter o time na terceira divisão e com pouco dinheiro. Pelo menos ao que sei, sem fumaça de roubalheira, o que é ótimo. Sobre jogadores, quero dizer que os profissionais que por aqui passaram nos últimos anos não são dignos de vestir nem a sunga do clube. Cheirou sempre incompetência e mau caratismo, que deságua em mercenarismo.
Se descontentes estavam por não receberem salários em dia; se as condições de trabalho eram ruins, tudo bem. Ninguém pode ser obrigado a se integrar a cenário do tipo mas tinham que entrar em acordo com a direção e pegarem seus bonés. Podiam ainda ter solicitado, na justiça, rescisão indireta, mas não podiam ter vestido o uniforme do clube, viajarem, jogarem e perderem feio, por seis, sete gols. Jogaram na lama, sem nenhuma consideração, o nome da agremiação.
Paro. Espero que, se houver continuidade, não se contratem mais técnicos que andam a reboque de um caminhão de jogadores ruins. Peço desculpas pelo amargor do desabafo. E confesso que ainda tenho muito a dizer.
Odorico Antônio Silva
Advogado
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.