Elias Vicente Ferreira tem 45 anos e é cego. Ele passou a tarde de terça-feira na Associação Paulista do Ministério Público e acompanhou a reunião entre o promotor e os comerciantes. Ele comemorou a determinação da Promotoria para que donos de bares e restaurantes retirem mesas e cadeiras das calçadas e disse que os incidentes são comuns. “Para nós era como um tiro no escuro, além do escuro que já vivemos por causa da deficiência visual. É comum a gente cair sobre cadeiras e trombar nas pessoas que estão tomando sua cervejinha”, disse.
A assistente social da Sociedade Francana dos Cegos, Vera Lúcia Alves Taveira, também participou da audiência e ficou indignada quando um comerciante sugeriu que as mesas fossem mantidas nas calçadas e que se demarcassem áreas nas ruas para os deficientes. “Ouvir que o deficiente deve ser colocado à parte me entristece muito. Acho que ele não pensou e fez uma colocação infeliz”, disse.
Vera afirmou que a decisão garantirá o direito de ir e vir dos portadores de deficiência, não só dos cegos, mas em geral. “Peço a compreensão dos comerciantes. Não pedimos nada de mais, apenas que o direito seja restabelecido”.
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