Existe coisa mais antiga que o guarda-chuva? Com certeza, nem mesmo tesoura ou volante de carro. Desde o tempo de Nero - basta ver os filmes de época - lá estão eles. Iguaizinhos. Hoje em dia existem uns que a gente dobra-dobra-dobra e cabem até no bolso. Outros possuem botões automáticos, mas depois que abrem, ficam todos iguais.
As transformações foram tantas nos últimos tempos que o CD expulsou o long-play do baile de debutantes; o processador de textos levou a máquina de escrever ao museu das palavras; a impressora digitou o fim do mimeógrafo; e a fotografia digital tirou o rolo de filme da Kodak da paisagem. Outras invenções tiveram vida curta, como por exemplo, os walkmans, telefones de disco e e-mails, este último já substituído pelo Messenger. Só os guarda-chuvas continuam do mesmo jeito. São mais ou menos como as borracharias. Sempre iguais. Não evoluem.
O primeiro guarda-chuva que guardei na lembrança foi um enorme e sombrio morcego. Mais tarde descobri outros, todos negros, que eu vinculava emocionalmente ao mau tempo. Hoje, este arcaico anteparo contra os elementos pode ser encontrado colorido e até quadriculado. O guarda-chuva sobreviveu à revolução industrial, e, em meio a torós e orvalhos, alcançou a revolução informática sem ser afetado pela inevitável expansão dinâmica das transformações.
Lembro-me que, nos longínquos tempos da minha infância, havia um senhor que andava pelas ruas de Franca oferecendo seus serviços para consertar guarda-chuvas. Trazia consigo uma gaita, na qual tocava, para avisar os moradores da sua passagem. É engraçado, pois esse é um dos sons da minha infância que provavelmente nunca mais irei ouvir.
Naquela época de criança até encrenca arrumei com um guarda-chuva. Certo dia resolvi pular com um deles de uma jabuticabeira que tinha nos fundos da casa de meus pais. Não resistindo ao vento contrário, o pára-quedas improvisado ficou apenas com as varetas. Saí um tanto arranhado, perdi o guarda-chuva na metade do caminho pro chão, e ainda tomei uma surra da minha mãe. E tinha motivo para apanhar. O guarda-chuva era do vizinho.
O engraçado é que o guarda-chuva fabricado hoje, a maioria Made in China, só funciona quando não precisa. Experimente usar um deles no meio do temporal. Ele vai virar do avesso, abrir só uma metade, ou então descosturar inteiro. Se bobear, uma das varetas ainda fura o seu olho. Já os guarda-chuvas antigos eram bonitos e mais resistentes. Obras de arte. Muitos de seda, cabo de madrepérola e custavam caro. Outra coisa que fazia parte do guarda-roupa da época eram as capas e galochas. Capas eram muito usadas, principalmente pelas mulheres elegantes. Já as galochas, palavra que a geração de hoje nem conhece, eram colocadas sobre o sapato em dias de chuva, para protegê-lo. Desses três, apenas o guarda-chuva continua a fazer a sua missão primordial: proteger-nos da chuva. A diferença é que os de hoje são baratíssimos, de péssima qualidade e descartáveis. Basta cair uns pingos e os vendedores de guarda-chuvas “brotam” na cidade. Por dez reais fica-se protegido.
A sina dos guarda-chuvas é que eles não se prestam a objeto de estimação. Observe. Ninguém jamais desenvolve uma relação afetiva com um deles. Há pessoas que se apegam a um chinelo velho, um boné e até a um velho fusquinha, menos a um guarda-chuva. A nostalgia do guarda-chuva é um fator ausente na história da psicologia humana. Além do mais, eles são desprovidos de qualquer sentido estético, talvez por isso sejam tão desprezados.
DELEGADA GRACIELA LIDERA
O Divã do Masini realiza uma enquete interessante esta semana no site Nossa Noite. Seis dos principais nomes a candidatos para a Prefeitura de Franca em 2013 foram escolhidos e estão sendo votados. São eles, delegada Graciela, Gilson de Souza, Gilson Pelizaro, Roberto Engler, Dr. Ubiali e Marcelo Valim. Até ontem, 91 pessoas votaram e a delegada Graciela liderava essa pesquisa, com 52 votos, 57,14%. O jornalista Marcos Masini, responsável pelo blog, afirma que a enquete deve prosseguir até o fim do mês. Para participar da pesquisa acesse: http://www.nossanoite. com.br/divadomasini/.
DAMASCO
Encontrei-me no último fim de semana com o amigo Said Chahoud, satisfeito com a reabertura das portas do seu restaurante Damasco, que é tradicional em Franca e está localizado na Rua General Telles, na Estação. Fechado por uns tempos, funciona agora no período da tarde até altas horas da madrugada, oferecendo as delícias da cozinha árabe. Boa sorte, amigo!
NEGATIVO
Lojas de tecidos estão repletas de panos vindos da China. Notam-se a dominação do país asiático e a exclusão do algodão brasileiro. Mais uma crise para as fábricas nacionais.
POSITIVO
Recebi convite para o lançamento da edição especial dos romances da saudosa escritora francana Evelina Gramani Gomes. O evento está marcado para acontecer neste sábado, dia 25, às 20 horas, no salão nobre da Unesp, localizado na Rua Major Claudiano, no Centro da cidade. Nessa ocasião, a Academia Francana de Letras vai prestar uma homenagem à memória da ilustre escritora, além de entregar aos presentes os livros de sua autoria. E aproveito para recordar: o Centro de Saúde da Rua Ouvidor Freire tem o nome dela. E poucos sabem.
MEMÓRIA FRESCA
O homem está tomando cerveja num bar, quando chega um sujeito dizendo:
- O senhor esteve aqui há três meses!
- Pode ser, mas como você tem certeza disso?
- Reconheci seu guarda-chuva!
- Há três meses eu nem tinha esse guarda-chuva!
- Mas eu tinha!
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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