As médicas Rita Fontes e Gleise Costa acompanharam a história de João Gabriel e outros prematuros na Santa Casa. Em entrevista ao Comércio, elas falaram do avanço da medicina e que as chances de salvar bebês nascidos antes do tempo chegam, hoje, a 80%.
Comércio da Franca - Quais as chances de um prematuro sobreviver?
Gleise Costa - Hoje é muito importante levar em consideração a idade gestacional e o peso dele. Se falar em bebês com menos de 1000 gramas, a chance de sobrevida varia de 30% a 50%. Acima desse peso, chega a 80%.
Comércio - Como é possível uma criança com 500 gramas continuar viva e bem?
Rita Fontes - Na última década, aconteceram mudanças enormes na assistência aos prematuros. O investimento em aparelhagem e medicamentos foi muito grande. A parte humana também se especializou.
Comércio - Quais os cuidados que uma criança prematura exige?
Rita - São vários. Temos cuidados muito importantes, como a temperatura adequada para manter as funções estabilizadas; a pele do prematuro é extremamente sensível e qualquer coisa que altere a permeabilidade pode propiciar infecções. Às vezes, um esparadrapo tirado de maneira errada pode causar infecções graves. A maneira de segurar o recém-nascido, saber o que não deve ser manuseado e aquele que deve ser mudado de posição freqüentemente também precisa ser analisada corretamente.
Comércio - A sobrevida pode significar riscos no futuro?
Rita - Essa é a preocupação maior de todo neonatologista: que a criança sobreviva, mas com qualidade. Acho que é extremamente pesaroso para a família devolver a criança e depois essa criança evoluir com uma qualidade de vida ruim, não conseguir andar, falar, ouvir ou enxergar. Queremos colocar um indivíduo na sociedade que possa caminhar com as próprias pernas, que seja uma pessoa útil. Não precisa ser um grande atleta, matemático, mas que consiga ser feliz. Por isso trabalhamos com a equipe multiprofissional e, há dez anos, existe o Ambulatório de Alto Risco para dar suporte às mães de crianças prematuras ou com patologias sérias, que precisam de estímulos e acompanhamento profissional.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.