Mais pedágio


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Dinheiro! Não bastasse o alto custo do mesmo, haja vista para o mercado financeiro que anda destrambelhado ultimamente, a bolsa cai, o dólar sobe. Quem fica no meio e paga para valer o prejuízo da queda ou da subida é justamente quem menos dispõe de capital de giro: o contribuinte. Esse desarranjo econômico por si só trará despesas extras para todos. É só aguardar. Paralelamente a isso, os motoristas que trafegam costumeiramente pela rodovia Cândido Portinari, mais precisamente no trecho Franca/Pedregulho, já podem ir se preparando para o desembolso de uma nova taxa de pedágio. Há estudos adiantados na Secretaria Estadual dos Transportes para implantar um posto de pedágios entre Franca e Pedregulho. Todo imposto ou mesmo taxa de serviço incomoda o contribuinte. Agora, ter de pagar para transitar por uma rodovia já deixa de ser um incômodo e passa a ser um elemento ativador de muita raiva no já esfolado motorista. Qualquer proprietário de veículo sabe o quanto custa a compra e a manutenção desse bem somente em impostos. Tudo começa dentro do próprio valor de um carro zero. Quase a metade do total corresponde a tributos. Depois, para sair trafegando, lá se vão mais 4% do preço pago. Isso a título de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), pois ainda há o seguro obrigatório, as taxas de licenciamento e outras mais, como de emplacamento, com direito a extorsão, para confecção da placa. O montante desembolsado inicialmente repete-se anualmente. Além dele, veículo em movimento significa gasto com combustível. Seja ele qual for, o valor do imposto pago no ato da compra de um litro beira ou até passa dos 50%. Somado tudo, sem contar que o IPVA é um tributo substitutivo da antiga TRU (Taxa Rodoviária Única), cuja finalidade era conservar as estradas, daria e sobraria dinheiro para construção e manutenção de rodovias. No entanto, a conservação de rodovias passou a ser da responsabilidade de empresas encarregadas pela cobrança de pedágio. Além de já ter desembolsado para todo tipo de imposto, destinado exatamente a possibilitar a fácil locomoção automotiva por vias asfaltadas, se o motorista resolve ir até Ribeirão Preto, a viagem de ida e volta vai gerar uma despesa de R$24,00 com pedágio. O engraçado disso tudo fica por conta da origem da palavra. Pedágio vem do latim vulgar ‘pedáticum’, que chegou ao idioma italiano como ‘pedaggio’: taxa cobrada pela Máfia para que um delinqüente pudesse agir em uma rua ou logradouro, praticando atos ilícitos, criminosos. Nos Estados Unidos passou a significar propina paga por marginais a policiais, para não serem presos. Depois, até com influência da Máfia italiana que por lá chegou, o governo começou a cobrar pedágio dos motoristas para transpor uma ponte. Aos poucos, a cobrança foi estendida para se transitar nas rodovias. Mas o mais bonito da história foi a alegação para se criar o pedágio terrestre: caminhões esburacavam muito as vias. Então os próprios proprietários das empresas de transportes, com aval governamental, criaram firmas paralelas com o intuito de explorar os postos de pedágio. Todos passaram a custear a recuperação de rodovias sob concessão. Inclusive veículos de pequeno porte. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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