Toda semana, cerca de 30 filhotes acolhidos na ONG (Organização Não-Governamental) Cão que Mia, que cuida de cachorros e gatos em situação de abandono, são adotados. Fofos e dóceis, em pouco tempo eles conseguem um novo lar. Esta, porém, está longe de ser a realidade dos animais adultos, que acabam esquecidos nos canis mantidos pela entidade. Em média, a cada semana apenas dez são encaminhados para adoção.
“Os filhotes encantam as pessoas e os mais velhos vão ficando para trás”, conta Aleni Papacídero, 55, uma das responsáveis pela ONG.
Na tentativa de reverter este quadro, ela e outros 11 voluntários decidiram criar um programa de incentivo à adoção tardia. O interessado vai receber em casa, e de graça, fotos e informações dos cães disponíveis. Se quiser conhecer de perto algum deles, os voluntários providenciarão o encontro. “A idéia é facilitar ao máximo a vida dos adotantes. Eles vão perceber que os bichos já crescidos também são lindos e podem até ser úteis”, disse Aleni.
O público-alvo da campanha são os proprietários de chácaras, sítios, depósitos e fábricas, que dispõem de amplos espaços. Mas qualquer pessoa - desde que se comprometa a cuidar bem do animal - pode adotar.
As vira-latas Belinha e Narinha ainda não completaram 1 ano, mas já fazem parte do grupo dos “esquecidos”. Depois de terem sido encontradas doentes e vagando pelas ruas, foram submetidas a tratamento e hoje estão aptas a serem adotadas. Extremamente mansas, as cadelas são ideais para fazerem companhia a crianças e idosos. “Elas são muito carinhosas, é impossível não se apegar”, disse a voluntária, que por falta de vagas nos canis, acolhe animais na própria casa.
CÃES DE RAÇA
Mas se engana quem pensa que apenas cães sem raça definida são abandonados pelos donos. Expulsos de casa, os filas Hanna e Habbib, de 4 meses, pegaram bicho-de-pé. Sem receber tratamento, as patas traseiras foram “comidas” por moscas-varejeiras e tiveram que ser amputadas. Mas a deficiência não abateu a dupla. “Eles sofreram muito, mas a parte triste já passou. Apesar de não terem todas as patinhas, são muito bonitinhas, brincam, cativam a gente”, disse Aleni. Só na casa dela há outros três cães prontos para adoção: o pincher Toni, de 2 anos; a pastora belga Diana, de 3, e o poodle Pitico, de 4. Nos canis, são 230 cachorros.
Antes de adotar qualquer um deles, porém, a pessoa precisa assinar um documento pelo qual se responsabiliza totalmente pelo animal. O trabalho de conscientização sobre a posse responsável, realizado pela ONG, já reduziu o índice de “devolução” de cães e gatos a 5%.
Os contatos da ONG Cão que Mia para doações, visitas aos canis e adoções são 9999-4901 (Aleni) ou 9151-6968 (Adriana).
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