A Padaria Estrela é referência do nicho de padarias e panificadoras em Franca. Não à toa, é Top of Mind. Seus proprietários não deixam de praticar uma eficiente política de responsabilidade social.
Semana passada a Padaria Estrela, de meus ex-companheiros de Francal João Batista Lima e Paulo Xavier, realizou outra edição – a terceira – do projeto “Estrela Solidária”, com renda direcionada ao Hospital do Câncer. Acompanho JB (permita-me, meu caro) e Paulo há décadas e quero falar sobre seus espíritos solidários.
Mesmo tocando com eficiência e eficácia seus negócios mantiveram-se sempre prontos a responder a chamados de causas meritórias. Poucos sabem que eles dedicaram tempo a cozinharem sopas em entidades. Dedicaram e possivelmente ainda dedicam, já que, por filosofia, não permitem que uma das mãos saiba o que outra faz.
Tornaram a Estrela referência do nicho de padarias e panificadoras. São Top of Mind. Recebem prêmios e prêmios, mas mantêm a humildade. Podiam iniciar o gozo da empresa que construíram, mas, não. Dão aula de responsabilidade social.
Criaram o “Estrela Solidária” não para ser “mais” uma ação de auxílio ao Hospital do Câncer, e sim, para fazer diferença. Doam o bruto de um dia de trabalho nas duas padarias do grupo.
Não tiram do montante dos negócios realizados as despesas fixas, os insumos, o que gastam com fornecedores, o salários e os encargos dos funcionários. Doam tudo! Fazem de seus empregados e fornecedores partícipes conscientes.
Agora, o novo sonho dos padeiros da Estrela é multiplicar a causa: querem motivar empresas a seguirem o modelo. Estão certos de que, se vários fizerem o mesmo, o HC poderá se dedicar a suas competências médicas sem se preocupar tanto com recursos.
Não pretendo comover frios analistas, mas afirmo que há compensações de alavancagem e consolidação de marcas quase impossíveis de alcançar com qualquer outro tipo de ação. Para demonstrar, registro o e-mail que a Editoria de Opinião do Comércio da Franca recebeu do francano Jurandir Honda, que reside há anos no Japão. Acompanhe: “Passei em frente (à Estrela) e observei que seus freqüentadores deixam transparecer em suas faces um gostoso bem-estar. (...) Sei que se trata de ação x reação. As ações da padaria acarretam reações positivas. Com o tempo, consumidores simpatizantes de suas ações são atraídos.
Concentram-se em produzir ações positivas em movimentos cada vez mais concentrados, tornando isso um círculo virtuoso. Uma vez, a empresa para a qual eu trabalhava no exterior fez uma doação para uma escola de bairro. Comentei com um nativo amigo, em minha vã ingenuidade, ‘para que tanto dinheiro para uma escola que já era boa?’. E ele, que tinha sido aluno de lá, me respondeu: ‘o dinheiro não é só para a escola; é também para a própria empresa que doa, para o país’. Lancei um ‘como assim?’. Ele devolveu: ‘esta escola está dando polimento às pessoas, melhorando a qualidade de vida delas ao formá-las.
Está cuidando, quem sabe, da futura mão-de-obra de nossa empresa, das pessoas do bairro e, por conseqüência, da cidade, da região, do país’. Estava certo. É com essa filosofia que os japoneses abriram as portas da riqueza e das conquistas tecnológicas. Ele também me disse que anualmente alguns ex-alunos bem-sucedidos faziam doações para a escola como agradecimento pelo bom ensino dado, e aí está, de novo, o círculo virtuoso sobre o qual já falei.
Sei que no Brasil as empresas se queixam de altos impostos e, por isso mesmo não poderiam seguir o exemplo, mas, ainda assim, insisto: se, em cada bairro empresas unirem esforços para melhorar laboratórios de informática ou implantarem cursos de idioma com alta qualidade, não haveria aí o início de um princípio de ação x reação? Com o passar do tempo, essas empresas teriam a simpatia da comunidade e dos formandos; a criminalidade juvenil poderia diminuir, a qualidade de vida do bairro ia mudar para melhor.
(...) Parabéns ao senhor João Batista e a seu sócio, Paulo, bem como a toda a equipe da Estrela. Vocês estão melhorando a cidade, a região, o Estado e o País. Ação x reação, lembrem-se”.
O Grupo Corrêa Neves de Comunicação acredita no poder da multiplicação. Há dois anos oferece ao “Estrela Solidária”, para ajudar na composição dos recursos, doação integral do valor de assinaturas do Comércio vendidas na padaria da Avenida Presidente Vargas, no decorrer do dia de ação. Este ano e pela primeira vez, vários funcionários do jornal e da Difusora também participaram doando um dia de salário.
Não é preciso esperar mais. Se a empresa em que você trabalha puder ser estimulada, faça-o já. Quem sabe, outras estrelas solidárias comecem a brilhar intensamente porque você se decide colocar-se como agente de ações que motivam reações.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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