O Jardim Petráglia, na região norte de Franca, terá, a partir de 2009, novos moradores e visitantes. São mais de mil estudantes universitários da Unesp (Universidade Estadual Paulista). A transferência acontece porque, no próximo ano, a universidade estará num novo campus construído estrategicamente numas das avenidas mais movimentadas do local, a Eufrásia Monteiro Petráglia.
Embora a chegada dos universitários aconteça em sua maioria só após a virada do ano, o setor de imóveis e a área comercial do Jardim Petráglia já têm se movimentado para recebê-los. Entre construções em andamento, novos prédios comerciais e bares abertos recentemente são mais de dez negócios. Até a Avenida Dom Pedro I, há mais de 200 metros do campus, tem recebido investimentos.
Luiz Carlos Teixeira, corretor de imóveis, disse que a procura por imóveis começou a crescer há dois anos. A tendência é aumentar com o funcionamento da universidade no local. “O bairro é uma das regiões mais procuradas hoje em Franca. A demanda deve aumentar ainda mais”.
Para Teixeira, existe um nicho de mercado na região e o número de construções só não é maior porque os investidores estão mais cautelosos. “O ritmo de investimentos está mais prudente do que na época do surgimento da Unifran, mas a procura não deixa de ser alta e tende a aumentar com a transferência dos alunos”.
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O também corretor, Miguel Alves de Andrade, tem duas casas para vender no bairro e disse que, em dois meses, o valor do imóvel subiu 50%. “Peguei a casa no valor de R$ 60 mil. Hoje ela não sai por menos de R$ 90 mil”. Se o imóvel for mais perto da universidade, essa valorização pode ser ainda maior. “Um amigo meu queria vender um terreno e pedia R$ 45 mil, após a confirmação da Unesp para o bairro, o preço subiu para R$ 110 mil”.
Com medo de não encontrar imóvel disponível e ter que pagar mais caro por um ponto, o comerciante José Marcos Borges, 32, se antecipou e abriu, numa das esquinas do novo campus, uma lanchonete. Ele disse ter investido R$ 50 mil no negócio e planeja contratar até dez funcionários. “Pesquisei o público e, desde do anúncio da vinda da Unesp para o bairro, comecei a pensar no investimento”.
A salgadeira Lourdes da Silva Simplício, 43, é outra investidora prevenida que está com o empreendimento aberto a menos de 200 metros do portão principal da universidade. O ponto foi alugado há três meses, mas continua a despertar a atenção de pessoas interessadas em investir no bairro. “Abri a pastelaria para me acostumar com o ambiente e não perder a oportunidade. A procura por ponto aqui é grande. Todo dia aparece alguém disposto a comprar ou alugar o imóvel”, disse Lourdes.
No caso do comerciante José Dias Primo, 70, mais conhecido como “Seu Zé”, em razão do bar que possui há mais de 30 anos próximo da Unesp no Centro, a mudança ainda não foi planejada, mas ele promete não abandonar os universitários. “Vou procurar um imóvel para alugar lá no bairro. Algumas pessoas já me ofereceram. Quando eles (os universitários) forem mudar, eu mudo junto”.
Até o transporte coletivo da região sofrerá alterações. Celso Dias, gerente da empresa São José, disse que já tem estudos para a criação de novas linhas conforme a demanda de passageiros. “Duas linhas que passam pelo bairro com seis carros serão adaptadas assim que começarem as aulas. Se houver necessidades, iremos ampliar. Não deixaremos os estudantes na mão”.
O NOVO CAMPUS
O novo campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) começou a ser construído em 2006 e foi concluído no mês passado. A obra estimada em R$ 12 milhões conta com restaurante universitário, biblioteca, dois novos blocos de administração, que abrigarão a diretoria, unidade de atendimento médico, odontológico e social, centros acadêmicos, além dos blocos com salas de aula. A assessoria de imprensa da Unesp ainda não tem previsão de inauguração do campus, mas informou que as aulas do próximo ano já serão no local.
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