Criacionismo x Evolucionismo


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Desde a publicação do livro “A Origem das Espécies” por Charles Darwin, em 1859 (dois anos, portanto, após a publicação da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”) que o assunto relacionado com o aparecimento do homem sobre a terra tem provocado os mais acirrados debates. Na época da publicação, especialmente, houve o surgimento de verdadeira tsunami ideológica. Inúmeras charges e caricaturas foram publicadas nos periódicos de então, ridicularizando ou debochando da tese defendida pelo eminente naturalista. Volta e meia o assunto vem à baila e provoca as reações costumeiras. Ainda agora a revista Veja, em sua edição de 24 de setembro, voltou a notificar sobre o tema. Relata que o reverendo anglicano Michael Reiss, em discurso pronunciado há duas semanas defendeu a criação de um espaço no ensino inglês para a hipótese criacionista. O discurso provocou uma verdadeira tempestade que culminou com a demissão do reverendo. Mas, afinal, o que defendem as duas correntes? Sinteticamente, podemos dizer que o Criacionismo admite que tudo foi criado por Deus, exatamente do jeito que está. Tomam a criação segundo o que está escrito na Bíblia e de forma literal. Já o Evolucionismo apresentado por Darwin admite que tudo é resultado de um processo evolutivo. As espécies evoluíram umas das outras, pelo processo de seleção natural, em que o mais apto sobrevive e transmite aos seus descendentes suas qualidades. E quem está com a razão? Conforme aprendemos com o Dr. Severino Celestino da Silva, em curso de extensão universitária ministrado na Fundação Educandário Pestalozzi, a Bíblia, na verdade é uma biblioteca com quatro níveis de interpretação. O primeiro deles é literal, isto é, interpreta o que está escrito ao pé da letra. Os que permanecem nesse nível seguem a risca o que está escrito, não admitindo qualquer outra interpretação. E há os outros três níveis para interpretações mais aprofundadas. Na opinião da Doutrina Espírita, tudo é criado por Deus, a “causa primária de todas as coisas”, em seu sentido mais amplo, conforme se lê na primeira pergunta de “O Livro dos Espíritos”. Por outro lado, antecipando à própria teoria da evolução das espécies, Allan Kardec – ainda na introdução do mesmo “O Livro dos Espíritos”, item XVII –, diz-nos: “Se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente”. E, na resposta à pergunta 540 os espíritos informam: “... que tudo se encadeia na natureza, do átomo ao arcanjo...”. Assim, para o Espiritismo, há uma ação conjunta de Criacionismo e Evolucionismo quando Deus tudo cria no princípio, já que é a origem de tudo. Após a Criação Divina vem o Evolucionismo, que é a lei Divina, e que é confirmado pela ciência. E isto não é absurdo, posto que, até autoridades de denominações religiosas tem se pronunciado defendendo tal possibilidade. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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