O Ministério Público de Franca suspeita que a diretora da Divisão de Esportes da Prefeitura, Marysol Galdenzi, tenha desviado recursos públicos. De acordo com o promotor de Justiça, Paulo Borges, Marysol teria utilizado uma nota fiscal fria para justificar o pagamento, pela Feac (Fundação do Esporte, Arte e Cultura), de uma compra de suplementos alimentares no valor de R$ 2 mil. O dinheiro, que deveria ser utilizado por atletas da Afat (Associação Francana de Atletismo), desapareceu. Ainda segundo o MP, Marysol se hospedou em um hotel em Brasília e a associação, com a qual ela não tem nenhum vínculo, pagou a conta. O MP deve acioná-la na Justiça por improbidade administrativa. Marysol nega que tenha desviado recursos públicos.
Segundo o MP, Marysol pediu que um dos atletas da Afat pedisse ao proprietário de uma loja que vende suplementos alimentares uma nota fiscal no valor de R$ 2 mil para “acertar” a prestação de contas com a Feac, relativa ao mês de julho. O comerciante, conhecido do atleta, atendeu ao pedido. A nota foi encaminhada à Feac, que efetuou o pagamento à Afat. A associação, por sua vez, emitiu um cheque nominal à loja. De acordo com depoimento do comerciante no Ministério Público, este valor nunca chegou a ele.
Para o promotor de Justiça Paulo Borges não há dúvidas de que houve ilegalidades no episódio. “Houve uma fraude para desvio de recursos públicos e isto é improbidade administrativa”, disse. Em seguida, o promotor afirmou que deverá processar Marysol. “Em se tratando de má-fé, de dolo, grave como este, dificilmente se resulta em TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e a ação (civil pública) é proposta.
Marysol admite a prática fora do padrão, mas que define como “rotineira”. Diz que é rotina os atletas pedirem as notas de maior valor às empresas para justificar as pequenas compras que fize-ram durante o mês. “A gente dá o dinheiro para o atleta ir lá comprar, depois junta um valor. Deu quanto? R$ 2 mil. Aí vai e tira a nota”, afirmou.
HOTEL
A segunda acusação do MP contra Marysol se refere a uma viagem da diretora a Brasília, em agosto, para participar de um congresso no Ministério dos Esportes. Ela se hospedou no Hotel Casablanca às 22h42 do dia 24 e permaneceu até o dia 26, às 8h36. Junto dela estava Rodrigo Santos, tesoureiro da Afat.
Na nota fiscal do hotel, de R$ 366, constam os nomes, como hóspedes, de Marysol – que não poderia ter sua conta paga pela associação por não ter vínculo legal a ela - e Rodrigo. No caso dele, o pagamento é justificável.
Neste caso, Marysol admite que o pagamento de sua estadia pela associação não está correto. Mas ela afirma que não houve fraude, mas alguma falha na hora de tirar a nota fiscal. “Às vezes ele (Rodrigo) errou. Tem que mandar tirar outra nota e dividir”.
Questionado sobre a relevância dos valores, Paulo Borges disse que a improbidade é caracterizada pelo ato e não pelas cifras. E que o ocorrido pode trazer transtornos, tanto para Marysol como para a Feac. “É uma fraude que põe em xeque todas as contas, que deverão ser analisadas minuciosamente pela Feac, até com uma auditoria”.
O presidente da Feac, Reginaldo Emídio, disse que a fundação auxiliará o MP no que for necessário e fará, também, investigações internas. Ainda ontem, Emídio, por recomendação da Promotoria, bloqueou todos os pagamentos à Afat até a conclusão das investigações.
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