‘É uma profissão completa. Não me vejo em outra’


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Os olhos da médica Luciana Maníglia Ravagnani, 24, brilham quando ela fala da profissão que começa a experimentar. A decisão de cursar medicina a acompanha desde criança. “É uma profissão completa. Não me vejo em outra área. É um orgulho. Ser médica sempre foi um sonho. Ajudar o próximo, podendo estar sempre em contato com o paciente é o suficiente para mim”, disse. O ingresso na faculdade foi uma surpresa. Embora se preparasse desde o primeiro ano do ensino médio e tivesse feito cursinho pré-vestibular por seis meses, tentou uma das vagas da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), em Uberaba (MG), de forma inesperada. Seu pai havia feito a inscrição escondido dela, mas ela resolveu tentar e, para sua surpresa, conseguiu. “Achava que não conseguiria, pois era vestibular de meio de ano e tinham apenas 40 vagas. Passei. E valeu a pena”. Luciana estudou durante seis anos em Uberaba e, de volta a Franca, tem passado os dias estudando e fazendo cursinho preparatório em Ribeirão Preto para prestar residência e se especializar em oftalmologia. “Devo prestar em pelo menos quatro faculdades, no fim do ano”, disse ela, que viaja duas vezes para Ribeirão para as aulas. Ela escolheu ser oftalmologista na expectativa de ter uma rotina de trabalho mais “light” e conciliar a profissão com seus planos pessoais. “É uma área interessante. A visão é um sentido especial, indispensável. No último ano de faculdade tive contato com todas as áreas. Preferi algo que combinasse mais com o estilo de vida que quero ter; para alguém que planeja construir uma família. Com consultório, fica mais fácil conciliar”, disse ela, que não está namorando. A jovem médica se formou em julho de 2008 e já atua em hospitais da região. Faz plantões no Hospital Regional de Franca e unidades de saúde em Rifaina e São José da Bela Vista. Ela confessa que as primeiras vezes foram marcadas por um pouco de tensão. “Nos últimos dois anos de faculdade, fiz estágio no hospital-escola de Uberaba, mas é claro que quando você trabalha, a responsabilidade é bem maior. Fiquei tensa no começo, com medo de errar, porque estou mexendo com vidas, mas com autoconfiança, tudo vai fluindo bem”. Os pacientes sempre comentam com ela sobre sua idade. “Eles sempre falam: ‘que médica nova’. Todos se assustam, mas permaneço sempre séria e demonstrando a segurança que tenho do que estou fazendo. As pessoas mais velhas inspiram mais confiança, mas tivemos dois anos de treinamento intensivo no hospital-escola, estamos preparados”. Luciana começou a atuar há poucos meses, mas já tem opinião formada sobre a remuneração. “Acho que o trabalho é desvalorizado. Pelo volume de atendimentos que prestamos, poderiam pagar mais. Em cidades da região, pagam R$ 400 pelo plantão de doze horas”, disse. Na família dela, é a única médica. A mãe é professora aposentada e o pai policial civil aposentado e empresário. Ela tem dois irmãos, de 25 e de 23 anos. HOMENAGEM Luciana viverá neste sábado o primeiro Dia do Médico depois de formada. Em vez de comemorar, ela prefere dedicar a data à amiga Virlânea Augusta de Lima, 27, encontrada morta no início desta semana. A garota estudava em Uberaba, um período à frente de Luciana, e se formaria em dezembro próximo. Desaparecida desde domingo, 12, foi cruelmente assassinada. Seu corpo foi encontrado no Rio Grande, em Igarapava, na terça-feira, 14, dia em que completaria 28 anos.

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