Quero dedicar o texto de hoje a uma reflexão: qual o papel do professor na formação dos nossos filhos? Vários ângulos deste assunto foram abordados por articulistas, esta semana, neste Comércio. Com justiça também o faço, uma vez que reconheço nos meus professores o mérito de muitas de minhas conquistas.
Ser professor é uma sublime missão, permitida a todos, conquistada apenas pelos verdadeiros artistas da arte do ensinar. Como todos sabem sou farmacêutico e atuo como tal em minha própria farmácia há quase quinze anos, e devo registrar que neste tempo todo aprendi a reconhecer um professor utilizando alguns critérios básicos.
Por exemplo, nessa época do ano é fácil identificar um professor no balcão de uma farmácia. Oprimido pelo sistema, tenho visto homens e mulheres que ensinam sofrendo de depressão, síndrome do pânico, angústia, ansiedade, e muitos sofrem de uma ‘coisa que não sei explicar o que é, mas que está me deixando triste e sem ânimo para trabalhar’.
Não é um caso ou outro, são vários, poderia dizer milhares. Nossos professores estão sendo assassinados cotidianamente pelo modelo de trabalho que são obrigados a adotar para sobreviverem. São remunerados de maneira indecente, são considerados como agentes públicos de terceira categoria e principalmente estão expostos a todas as maldades possíveis, seja por parte dos alunos ou dos familiares dos alunos.
A imprensa não se cansa de noticiar verdadeiros atentados contra professores, são ataques que marcam a vida desses profissionais pelo resto de suas vidas, quando não são agredidos fisicamente, o são em sua moral. Os ataques tomam formas variadas, cola na cadeira, soco no olho, agressões verbais que assustam até os mais liberais.
A bem da verdade professores nunca foram amados por todos os seus alunos, nem deve ser esse o objetivo daqueles que abraçam tal carreira, contudo, em outras épocas os mestres eram pelo menos respeitados.
Nos dias de hoje, não são respeitados, muito menos admirados e amados. Na verdade, pelas histórias que tenho ouvido, são odiados e humilhados por pais e mães de alunos, são xingados e agredidos por crianças e adolescentes que não têm nada a temer e nada a perder.
Quando vejo uma professora ou um professor sofrer de doenças cuja causa primeira está na sua profissão, me pego a pensar que talvez fosse hora de ao invés de pedir aumento de salários para os professores, que se faça um movimento em favor do pagamento de insalubridade. Sim, insalubridade. Nossos professores estão morrendo aos poucos por doenças de causas ocupacionais, e precisam ser indenizados de alguma forma.
Nos relatos do dia-a-dia ouço professores se lamentando de situações que extrapolam suas funções pedagógicas e de ensino. Professor não está na sala de aula para colocar limites e ensinar o básico do básico sobre convivência humana em sociedade.
Não é possível que alguém queira e acredite que o professor está em sala de aula para dar ao indivíduo aquilo que ele deveria ter recebido em casa, ou seja, noções de educação e respeito.
Quem me acompanha aqui todas as sextas-feiras sabe das minhas posições e já deve ter percebido que não é a primeira vez que falo de tais coisas, e não me cansarei de dizer que precisamos rever nossos conceitos sobre educação e ensino, que para mim são coisas diferentes e complementares.
Será que queremos crianças nas escolas como índices de escolaridade e professores doentes com índices de insalubridade do ambiente de trabalho?
Não seria mais fácil se cada um assumisse suas funções, pais e mães educando, professores e professoras ensinando?
DELIRIUS POLITICUS
Em mais uma daquelas semanas em que a eleição municipal ainda parece não ter terminado, o assunto sucessão Sidnei Rocha mantém-se de boca em boca. No meio da semana, em um bate-papo informal, alguém ousou lançar um nome a ser batido por Graziela na preferência do atual prefeito. Sem querer mexer no vespeiro, é melhor que o colunista apenas diga que o misterioso candidato é homem e que nos corredores da Prefeitura age no melhor estilo do mestre, atira primeiro, pergunta depois.
SER PROFESSOR - A MISSÃO 1
Professor precisa ser remunerado o suficiente para poder ter tempo e dinheiro para se atualizar e principalmente para planejar seu trabalho. Não é possível que um professor tenha que dar aulas de segunda a sexta, de manhã, à tarde e à noite para compor uma renda mínima e digna.
SER PROFESSOR - A MISSÃO 2
Não me parece ser função do professor organizar rifas e outras atividades com a finalidade de angariar fundos para a manutenção de determinadas atividades da escola onde ele leciona. Professor não é caixeiro-viajante de projetos de sobrevivência financeira do sistema educacional.
SER PROFESSOR - A MISSÃO 3
Escola é escola, família é família. Não é possível que professores tenham que deixar suas funções educacionais e pedagógicas para se dedicar a assuntos de natureza estrutural e familiar do aluno. Alguém dentro do sistema deve assumir esse papel e deixar que professores atuem como agentes capazes de ensinar com qualidade.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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