A greve da Polícia Civil, iniciada há 31 dias, teve ontem seu dia mais tenso. Milhares de policiais civis e militares se enfrentaram nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Em meio a bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha, havia um grupo de 40 policiais civis da ativa e inativa de Franca e região, além de alguns de seus familiares. No fim do confronto, que deixou um saldo de pelo menos 20 feridos, os francanos saíram ilesos.
O grupo de francanos saiu da cidade por volta das seis horas de ontem e ao meio-dia chegou a São Paulo, onde se juntou aos demais manifestantes, que saíram de todo o Estado. De acordo com o comando da greve, 5 mil pessoas participaram do protesto. O governador José Serra (PSDB), que não atendeu os grevistas, disse que seriam em torno de mil.
O Comércio conseguiu contato com um dos francanos presentes no tumulto. Claramente apreensivo e, como todos seus outros colegas, pedindo para não ter o nome divulgado por medo de represálias do Estado, atribuiu a culpa do conflito aos policiais militares. “A gente sentiu que estava sendo traído pelos próprios companheiros de corporação (PMs), que vão ser beneficiados no final da história”, disse. “A PM não precisava ter feito o que que fez”, completou.
Segundo o policial, os manifestantes passaram pela primeira barreira de PMs sem conflitos. Na segunda, formada em grande parte por homens do Batalhão de Choque, teria havido a ordem do comando da operação militar para o lançamento de bombas de gás contra os civis. “Começou o empurra-empurra e o oficial determinou que alguém atirasse a bomba”. Para ele, a ação da PM foi arbitrária.
“Acho que houve uma deslealdade pelo comando da PM. Acho que a PM não deveria dar uma ordem dessa, porque é uma ordem imbecil em um momento como este. Iria chegar em um determinado ponto que não tinha como passar mais, porque eles estavam em grande número. Ninguém ia chutar e dar paulada nos militares. A orientação era agir pacificamente.”
De acordo com o policial, nenhum francano se feriu, mas pelo seu relato os momentos de enfrentamento lembraram o cenário de uma guerra. “Virou uma fumaceira em determinada hora que você não via ninguém. Próximo a um colega de Franca, teve um rapaz de Campinas que caiu uma bomba na perna dele. Queimou e chegou até a arrancar um pedaço da pele”.
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Três oficiais do alto comando da Polícia Militar em Franca foram procurados, na tarde de ontem, para falar a respeito do confronto com os civis, mas ninguém disse uma só palavra, sob alegação que não tinham autorização superior para isso (leia mais no apoio).
Os policiais civis reivindicam aumento de 15%. Inicialmente, pediam 60% de reajuste. O governo estadual oficializou sua última proposta em 6,2%.
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