Movimentação morna e poucos negócios fechados marcaram o segundo dia da quarta edição da Fenafic (Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados) realizada no Bairro Miramontes em Franca. No mesmo tempo em que se esforçam para manter o otimismo, expositores admitem que a crise financeira dos Estados Unidos e a mudança de data da feira - até o ano passado ocorria em agosto - estão retraindo as vendas. A própria organização afirma que a Fenafic mudou sua característica após as três primeiras edições: era voltada para negócios e se transformou em uma vitrine de lançamentos.
O pavilhão do antigo Calçados Dharma, na Avenida Willian Azzuz, está bonito com estandes bem decorados e com modelos nas portas para atrair clientes. Ontem, teve até desfile de mulheres apenas com o corpo pintado pelo artista W.Veríssimo. São 212 empresas de seis estados diferentes mostrando lançamentos em couro, máquinas e componentes. Expositores tentam fisgar os compradores com refrigerantes, salgados e cerveja. O forte calor completa o cenário.
Segundo informações da organização, 3.457 pessoas passaram pela Fenafic ontem. Houve uma sensível melhora em relação ao dia da abertura, mas o número ficou bem abaixo do verificado no mesmo dia do ano passado, quando 5.105 estiveram na feira. “A instabilidade econômica acaba refletindo. Nossos preços tiveram de ser reajustados. Acho que a data não é boa. Quem tinha de comprar, já comprou. Quem está produzindo não sai da fábrica”, disse Alex Sander Fagundes, gerente da Lanmax, empresa francana que produz máquinas de costura para pesponto.
Écio Reis, gerente-comercial da Killing, empresa de tintas e adesivos sediada em Novo Hamburgo (RS), também acredita que a movimentação da feira será afetada por causa do cenário econômico. “Na sexta-feira passada, tivemos de fazer uma parada nas vendas em virtude do dólar. Retomamos na segunda-feira com uma tabela de preço nova, mais adequada. Talvez muitas empresas de componentes que dependem desta variação estejam prejudicadas neste momento”. Ele afirmou que sua empresa não vende e aproveita a feira para se confraternizar com os clientes.
Mário Matias, proprietário da New Plac, fábrica de placas de borracha localizada no Distrito Industrial de Franca, afirmou que ainda é cedo para avaliar a feira e acredita que o desempenho será igual ao verificado no ano passado. “Vender aqui é difícil. Aproveitamos a feira mais para fazer contatos e conhecer clientes novos. A oscilação do dólar tem deixado o pessoal meio inseguro. O momento é de cautela”.
O presidente da Fenafic, Arsênio de Freitas, reconhece que o perfil da feira mudou. “As três primeiras edições foram de negócio. Esta é de lançamento.” Ainda assim, ele mantém o otimismo para o setor. “Esta é a nossa oportunidade. Com o dólar valorizado, novos mercados para a exportação serão abertos. Vejo com otimismo o futuro do setor coureiro-calçadista. Os bens de baixo valor serão mais consumidos”. O empresário acredita que foi um acerto transferir a feira para o mês de outubro e adiantou que o evento do ano que vem será realizado neste mesmo mês. “Estamos no momento certo com os lançamentos para a nova estação”.
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