Investigadores do 5º Distrito Policial identificaram ontem o suspeito dos atentados à bomba feitos contra a igreja católica São Crispim, no City Petrópolis. No fim da noite, os policiais apresentaram na delegacia o sapateiro André José de Souza, 26, que assumiu ser o autor dos ataques. Após um exaustivo depoimento ele disse estar revoltado com os membros da igreja e não se intimidou em confirmar as ameaças aos padres e fiéis.
O rapaz, que freqüentava as missas no local, já chegou a fazer parte da equipe de liturgia da São Crispim. Ele também já recebeu ajuda da comunidade, logo depois de ter sofrido um acidente de moto. “Eu pus fogo no carro do padre e joguei umas bombas na igreja e na casa deles. Agora eu estou arrependido e peço perdão por isso tudo”, disse André.
O motivo dos atentados, de acordo com o sapateiro, seria o comportamento dos padres e da comunidade com ele. “Eles estavam fazendo macumba para mim. Quando eu freqüentava a igreja, aconteceram vários fatos. Eu pequei e, a partir do momento que eu pequei com uma moça, isso começou a acontecer comigo. Eles me humilharam também”, disse, sem conseguir explicar exatamente a que tipo de humilhação se referia.
De acordo com a mãe do sapateiro, o filho tem problemas psiquiátricos e já foi internado. “Ele está com problema na cabeça (sic). Ele sofreu um acidente de moto e eu acho que isso atingiu a cabeça dele. Ele teve depressão no final do ano passado e aparentemente estava bem, mas aconteceu essas coisa e ele não está bem, ele precisa de um tratamento”.
A informação da mãe foi confirmada pelo investigador Lucas Costa. “Nesse caso do atentado, acabou-se confirmando a suspeita dos próprios padres que ali trabalham, de que estes atos teriam sido praticados por uma pessoa que estava passando por problemas emocionais e até um distúrbio psicológico. O rapaz participava ativamente da igreja e, de uma hora para outra, ele passou a atribuir alguns infortúnios que teve ao fato de estar participando dessa igreja.
Segundo palavras dele mesmo, ele estaria praticando estes atos porque o pessoal, tanto o padre quanto os fiéis, estaria fazendo macumba e tentando atrapalhar a vida dele. Ele teve alguns problemas na vida pessoal e atribui isso ao fato de estar freqüentando essa igreja”.
O sapateiro foi indiciado, encaminhado para o Hospital Alan Kardec e responderá criminalmente pelos atentados. Os padres responsáveis pela paróquia, Silvio Donizete Ernesto e Adriano Henrique da Silva, não foram localizados. Em nota divulgada à imprensa pela manhã, os padres informavam não saber quem seria o responsável pelos ataques, muito embora, em Boletim de Ocorrência registrado há cerca de 4 meses - época dos primeiros ataques - o padre Sílvio atribuía os atentados a um rapaz chamado André. (Leia mais no apoio).
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