Molhado e obrigado


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Primeiro uma reclamação: não sei se para os organizadores do processo eleitoral ou para o responsável pela seção onde voto, junto da Escola Industrial: como tantos outros da mesma idade que conquistei, alguns com mais outros com menos e que gostam de votar bem cedo logo na abertura, esperávamos em mais ou menos cinqüenta pessoas o horário marcado, na rua, porque ali não se tem onde ficar (General Osório). Faltando poucos minutos, desabou uma chuva muito pesada, acompanhada de ventos fortes que não tinha guarda-chuva que nos protegesse. Protegíamos a cabeça e molhávamos os pés ou vice e versa. Como faltavam poucos minutos iniciou-se uma grita geral para que abrissem as portas e a resposta lá de dentro e de quem estava bem protegido, era de que não podiam e que tinham que obedecer ao horário. Ora, não queríamos votar; nossa vontade era apenas de entrar e esperar nos corredores, protegidos daquele temporal, aliás, onde estavam eles, os funcionários e, diga-se de passagem, alguns tomando tranqüilamente um cafezinho como constatamos, tão logo abriram após meus parceiros de infortúnio quase derrubarem as portas. Que falta de bom senso lamentável! Nós, velhos, apesar de ansiosos demais, às vezes até impertinentes, não merecíamos este tipo de tratamento, até porque só fomos lá porque somos obrigados e ainda, no retorno ao lar, tivemos que escutar pitos da patroa, por causa da troca de roupas que se fazia necessária. Quanto às eleições, no que se refere ao mamão-com-açúcar que enfrentou o prefeito eleito e por isto acho que ele não deveria se vangloriar tanto, nada a comentar, até porque é a legítima vontade do povo e dizem que ela é a vontade de Deus. Já no que se refere ao resultado para vereadores, confesso que não me agradou a nova formação da nossa Câmara Municipal, o que não deve ter acontecido com o prefeito eleito que tecnicamente só terá duas vozes contrárias à sua vontade, o que é muito pouco. Outro mamão-com-açúcar... Diz também a voz do povo que a segunda gestão é sempre pior do que a primeira e é quando acontecem as lambanças que não ocorreram no primeiro mandato, até porque, proibida a terceira reeleição, corremos o risco do eleito, no meio do caminho, partir para cargos em esferas mais altas, abandonando aqueles que nele acreditaram e olhem que isto já aconteceu com o eleito. Se não mais pretender voltar à política, também é perigoso porque pode querer tirar as vantagens que não conseguiu no primeiro tempo e aí, a “vaca vai pro brejo”. Por fim, gostaria de registrar que fiquei deveras impressionado com a postura, o carisma, a facilidade com que se expressa, ou seja, de forma didática e convincente e sempre de cabeça erguida e olhando de frente, a eleita prefeita da vizinha cidade de Ribeirão Preto. Se realizar a metade a que se propõe, irá longe sem dúvida nenhuma. São duas as mulheres que admiro e passei a respeitar enquanto envolvidas em política: a senadora Heloisa Helena e agora a prefeita Darcy Vera. Que venham outras, porque os homens, como alguns que nós conhecemos, da região ou fora dela, não estão dando conta do recado, além de sérios envolvimentos com a corrupção. Estou inconformado com os últimos acontecimentos que envolveram a Francana e me encheram de vergonha e brevemente falarei a respeito, se Deus assim me permitir. Odorico Antônio Silva Advogado

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