Ser ou não ser professor


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Tranqüilamente (com trema ainda, até dezembro), sem nenhuma pressa, pode pensar à vontade para responder: você prefere que sua filha (bonita ela, hein!) de 17 anos se prepare para ser professora ou então aprenda a tirar um pouco da roupa para subir já na passarela, podendo assim se transformar em uma badalada e endinheirada modelo? E o filho, com este preparo físico (pena que a Francana não decole, possivelmente por não dar oportunidades para os atletas da própria cidade) deve ingressar na universidade para virar professor ou o melhor mesmo é aproveitar a ginga dele para ser jogador de futebol? Ah! Ele é muito alto. Então que seja um craque do basquete. As chances de conquistar uma vaga na Câmara Municipal, em 2012, serão enormes. Ainda mais sendo francano mesmo! Como sempre, as respostas são cruzadas. A mãe prefere ver a filha na profissão de modelo. O pai, por sua vez, a quer professora. Quanto ao filho, trocaram as bolas. A mãe o quer professor e o pai já o vê na posição de centroavante do time campeão do Brasil no próximo ano. Esses pais e suas projeções... A escolha profissional dificilmente depende da vontade dos pais. Os filhos são soberanos. Eles seguem suas próprias inclinações. Claro está, pode até acontecer de a escolha recair na profissão de professor. Afinal, tem gente que não se dá muito bem com bola e muito menos com exibição pública de vestimentas. Mesmo que essas carreiras sejam vistosas e possibilitem ganhos vultosos. Ser ou não ser professor? Mas a questão não é bem essa. A conhecida frase de Shakespeare seria escrita com outro verbo. Entretanto, a língua inglesa não dispõe da palavra ‘estar’. Assim, o poeta e dramaturgo contentou-se com: ‘ser ou não ser’. No entanto, em português, torna-se possível pensar em ser ou estar professor. Mesmo que sutil, há uma diferença na abordagem. Qualquer profissão pede preparação. Seja a de modelo ou de futebolista. Por trás de alguém na passarela ou até mesmo no verde gramado está um longo tempo de treinamento. Talvez até maior e mais desgastante fisicamente do que aquele gasto para se chegar à sala de aula. Agora, a diferença dessas profissões fica exatamente no tempo de produtividade. Um professor é. Uma modelo ou um jogador está. Alfredo Palermo nunca esteve professor. Ele é. Não faz muito tempo, numa manhã de sábado, o mestre já na casa dos 80 anos de idade, transitava pelos corredores da Unifran. Parado por alguns ex-alunos, um deles quis saber o que ele fazia ali tão cedo. A sábia resposta veio de pronto: “Estou dando aula na pós-graduação. E, ainda ganho para isso. Quando o correto seria eu pagar para desfrutar desse convívio”. Sorte, muita sorte tem quem não perde a capacidade profissional com o transcorrer dos anos. Passe o tempo que passar, está sempre apto para entrar em ação e fazer aquilo que sempre fez, até com mais desenvoltura. Mais que sorte, felicidade mesmo atinge somente aquele que consegue fazer de sua profissão um convívio. Na verdade, o professor somente dá aula quando consegue falar a mesma língua a todos da classe. Com isso, cria-se o diálogo, a convivência e conseqüentemente a possibilidade de aprendizagem. Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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