Uma bomba de fabricação caseira atingiu na madrugada de domingo a residência paroquial da Igreja São Crispim, no Bairro City Petrópolis. Um veículo Gol, pertencente a um dos dois padres moradores no local, foi danificado. Desde junho, é o quinto ataque contra padres ou fiéis ligados à administração da paróquia. Um morador do bairro é o principal suspeito da onda de ataques. O comando da igreja atribui os ataques a “pessoas desequilibradas” e diz que desconhece qualquer relação entre o suspeito e os padres.
O ataque mais recente ocorreu na madrugada do último domingo, na casa paroquial. Os padres Silvio Donizete Ernesto e Adriano Henrique da Silva, responsáveis pela Igreja de São Crispim, dormiam na casa, que fica a aproximadamente um quilômetro da paróquia, quando foram acordados por gritos de vizinhos de que o carro de Silvio estava pegando fogo. Soldados do Corpo de Bombeiros foram acionados e, depois de apagar o incêndio, descobriram que um coquetel molotov (bomba de fabricação caseira) causou o incêndio.
O prédio da igreja São Crispim também foi alvo dos atentados. Artefatos semelhantes já haviam sido atirados em outras duas oportunidades no local durante as celebrações das missas. Uma deles chegou a danificar as telhas do imóvel. Outros ataques ocorreram ao longo dos últimos quatro meses e atingiram residências de fiéis ligados à paróquia. Não houve danos, mas o susto foi grande.
Uma das ocorrências, registrada pelo padre Silvio no dia 29 de junho, pode levar a polícia a identificar o autor da série de atentados. “Na época foi feita uma ocorrência na delegacia, mas a pedido da própria vítima o processo foi arquivado. Uma pessoa teria invadido a igreja durante a missa e soltado uma bomba”, disse o delegado Helder Rodrigues.
A reportagem do Comércio esteve ontem na igreja para repercutir os atentados com os padres e saber se eles conhecem a motivação do suspeito, mas um funcionário informou que eles estavam de folga e se manifestariam somente por escrito. Até o fechamento da edição eles não haviam enviado nenhuma nota e também não foram encontrados em seus telefones celulares. A secretária da casa paroquial, procurada horas depois, deu outra versão: disse que eles estavam viajando.
SILÊNCIO
Moradores da região e freqüentadores da paróquia estão aterrorizados. Muitos dizem que estão com medo de freqüentar as missas. A lei do silêncio prevalece. Embora o suspeito more no bairro, ninguém fala abertamente sobre seu paradeiro. O medo é perceptível.
Uma moradora do bairro, que pediu para não ser identificada, disse que os atentados são de conhecimento do bairro todo e que os padres Silvio e Adriano chegaram a pedir ajuda da comunidade. Não detalhou qual seria essa ajuda. “Todos estamos com muito medo. Ontem na missa eu fiquei pensando se o criminoso fosse aparecer por lá e soltar outra bomba, podendo machucar as pessoas. É terrível”, disse a dona de casa.
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