Em 2002, possuir uma conexão de internet com banda larga residencial era um privilégio para poucos. Os preços de instalação e manutenção dos serviços de transmissão de dados eram muito altos. Nesta época, ocorreu o “boom” das lan houses em Franca. Elas ofereciam internet rápida a preço acessível. A princípio, o grande público destes estabelecimentos era formado por jovens, obcecados com jogos eletrônicos de última geração, como o épico Counter Strike.
Nesta época, as lan houses de Franca eram verdadeiros points e os donos dos estabelecimentos chegavam a cobrar até R$ 5 pela hora de aluguel das máquinas. Fora os famosos “corujões”, pacotes com cinco a seis horas de conexão. No fim, em algumas lans, era servido café da manhã para os que viam o dia raiar.
Mas a onda passou. Com o aumento da concorrência e a queda no movimento, os preços baixaram para R$ 2 por 60 minutos de uso. Até por R$ 1 é possível navegar em alguns pontos da periferia.
Fora isso, as lans enfrentam outro inimigo direto: a popularização da internet e a conseqüente queda nos preços dos equipamentos de informática e nas conexões de internet. O movimento nas lan sofreu uma queda vertiginosa e muitas fecharam as portas.
Um dos primeiros a se arriscar no ramo foi Fabiano Alberto de Andrade, que em 2002 abriu uma lan house no centro de Franca. “Quando inauguramos a loja havia fila de espera para usar as máquinas e funcionávamos por 24 horas. Hoje o movimento caiu 30%, e tive que fazer algumas adaptações para continuar trabalhando”, disse.
A primeira atitude tomada pelo empresário para se manter no mercado foi cortar gastos. “Dispensei dois funcionários e eu mesmo passei a trabalhar na loja. Além de reduzir despesas, a qualidade no atendimento aos clientes melhorou e o movimento também”.
O perfil dos clientes que utilizam as lan houses também mudou.
Anteriormente freqüentados por jovens e crianças, os estabelecimentos recebem agora outro tipo de público. “Recebo muitas pessoas de fora e que precisam de internet para fins profissionais. Agora trabalho mais como um cyber café, pois quase ninguém vem aqui para jogar”, disse Andrade.
EM CASA
O universitário Ricardo Marinho era um assíduo freqüentador de lan houses até adquirir um computador no ano passado. Agora, faz tudo o que quer de casa. “Eu coloquei no papel o quanto estava gastando por mês na lan e vi que o valor seria suficiente para comprar um computador e instalar a internet no meu apartamento. Agora faço todos os trabalhos da faculdade em casa e ainda me divirto jogando on-line”.
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