<p>Há uma semana, 110.476 pessoas foram às urnas e digitaram o número 45. Foi a maior votação da história destinada a um político de Franca. Sidnei Franco da Rocha (PSDB) frustrou as expectativas dos adversários de levar a disputa para o segundo turno e se reelegeu para continuar mais quatro anos à frente da Prefeitura. Um dia depois da vitória, se autodefiniu como o grande nome político da cidade no momento. Não foi um exagero. O tucano ficou entre os dez prefeitos eleitos com a maior votação em todo o País nos municípios com mais de 200 mil eleitores. </p><p><br />Depois de ter sido reeleito, Sidnei Rocha deixou de lado os discursos de campanha e admitiu que muita coisa precisa ser feita, principalmente, no setor de Saúde Pública. A prioridade será melhorar o atendimento no pronto-socorro municipal.</p><p><br />Na manhã de quinta-feira, Sidnei Rocha concedeu uma entrevista em seu gabinete e contou detalhes da campanha. “Decidimos que nos primeiros 15 dias, a gente não buscaria votos. Só trabalhamos com a finalidade de amenizar a imagem que nós sabíamos que os adversários tentariam reforçar como sendo negativa”.</p><p><br />O prefeito também falou da paixão pela política e afirmou que não está na vida pública motivado por dinheiro ou pelo poder. “Meu grande princípio é ajudar as pessoas. Sou um velhote idealista”. Sidnei Rocha contou que a solidão do poder é uma realidade e que a semana pós-eleições foi uma recompensa pelo trabalho fechado em uma sala. “A alegria das pessoas está me sensibilizando muito”.</p><p><br />Sidnei Rocha também falou sobre as finanças da Prefeitura e afirmou que a situação equilibrada permitirá maiores investimentos na cidade ao longo dos próximos quatro anos. Saiba nesta entrevista o que o homem de 110 mil votos projeta para a cidade. O prefeito continua no PSDB ou vai para o PP, partido que montou para abrigá-lo numa eventualidade? Sidnei se aposenta em 2012 da vida pública ou continua disputando eleições? Ele responde a estas questões a seguir.</p><p> </p><p><strong>Comércio da Franca - Há uma semana o senhor foi reeleito com mais de 110 mil votos. Já caiu a ficha? O que uma votação tão expressiva representa?<br />Sidnei Rocha -</strong> Representa mais responsabilidade, já caiu a ficha, claro. Até porque a gente esperava, pelas pesquisas, uma votação nesta faixa. Não fomos pegos de surpresa. Era algo que a gente esperava, torcia e trabalhava para que isto acontecesse. <br /><br /><strong>Comércio - Teve alguma situação curiosa ou marcante mantida em sigilo durante a campanha que o senhor poderia revelar agora?<br />Sidnei Rocha -</strong> Não. Foi uma campanha muito pacífica, muito tranqüila, equilibrada e planejada. A gente não se assustou em nenhum momento, por exemplo, com as cobranças gerais, até familiares, que queriam que a gente respondesse aos constantes ataques. A gente não se abalou com a própria cobrança da imprensa que dizia que o prefeito não saía do gabinete, mas saía sim. Preferimos fazer uma campanha silenciosa, mas produtiva. O planejamento era que mantivéssemos o índice das pesquisas. Não trabalhamos para crescer, mas para manter o que os levantamentos indicavam. Nas primeiras pesquisas, a gente tinha uma rejeição muito próxima do principal candidato adversário. Conseguimos diminuir o índice. Esta foi a nossa principal estratégia.<br /><br /><strong>Comércio - Como o senhor definia as ações de campanha?<br />Sidnei Rocha -</strong> A grande equipe que formei, que era o Marcelinho (Marcelo Facuri, assessor de comunicação) e eu, combinou tudo isto antes da campanha. Decidimos que nos primeiros 15 dias, a gente não buscaria votos. Só trabalhamos com a finalidade de amenizar a imagem que nós sabíamos que os adversários tentariam reforçar como sendo negativa. O planejamento deu certo.<br /><br /><strong>Comércio - Por que o senhor gosta tanto de política? É pelo salário, pelo poder ou pela paixão? <br />Sidnei Rocha -</strong> Não é pelo salário. Entrei por coincidência na política. Desde garoto, trabalhando num órgão de imprensa, você já vive num meio político forte. Com 15 anos, já entregava jornais e depois fui para a redação. Assessorei o Hélio Palermo quando a Prefeitura era no museu ainda. Vivi no meio, mas a política partidária não me interessava. Entrei na política tarde, aos 32 anos. Como assessor de esportes do prefeito, a Câmara exigiu do Hélio Palermo a minha cabeça, pois fazia um trabalho interessante. Como jornalista, era contestador. Daí, fiquei bravo e resolvi sair candidato. Na ocasião, eu disse: “Eles acham que só eles podem ser vereador. Então, vou ser vereador também”. Fui um dos mais votados da história. Entrei e fiquei. Hoje, gosto de duas coisas: rádio e política. A gente fala e ninguém acredita, mas vou falar, pois é do coração, é verdadeiro: estou na política para ajudar os outros. Estou na política para fazer uma cidade melhor para todo mundo. Este é meu ideal. Meu grande princípio é ajudar as pessoas. Sou um velhote idealista. Sou assim e, assim, me sinto muito feliz.<br /><br /><strong>Comércio - O senhor se aposenta mesmo em 2012 ou vai continuar na vida pública?<br />Sidnei Rocha - </strong>Isto aí, só Deus sabe. Não sei se vou estar vivo lá, né? Não faço este tipo de projeção. Gosto de viver bem o dia-a-dia. Quando me levanto, saio com a vontade de fazer, hoje, melhor do que fiz ontem.<br /><br /><strong>Comércio - Ao longo da carreira de homem público, colecionou mais amigos ou desafetos?<br />Sidnei Rocha -</strong> Muitos amigos, muitos, muitos, mas a carreira, tanto no jornalismo, quanto na política, você acaba tendo inimigos de graça. Não me preocupo com isto. Me preocupo com os amigos que fiz e com o bem comum das pessoas. Se a pessoa não quer ser minha amiga, que não seja. Se eu puder fazer algo para ajudar a comunidade, eu toco em frente.<br /><br /><strong>Comércio - O senhor declarou em entrevista à Rádio Difusora na segunda-feira que teve um desentendimento com o deputado Roberto Engler e que montou o Partido Progressista para poder disputar as eleições caso enfrentasse resistência dentro do PSDB. O senhor venceu pela legenda tucana e o PP se destacou ao fazer quatro vereadores. E agora?<br />Sidnei Rocha -</strong> Vamos continuar no PSDB. Este desentendimento passou, ficou para trás. Tenho uma convivência muito boa com o deputado Roberto Engler. Faço parte do diretório estadual do PSDB, sou vice-presidente do secretariado estadual de prefeitos e tenho um respeito muito grande do partido. Onde você é respeitado e querido, não tem que mudar. Estou feliz e satisfeito no PSDB. Vamos continuar a vida por aí.<br /><br /><strong>Comércio - Depois de eleito, o senhor admitiu que o pronto-socorro “Doutor Janjão” não tem condições ideais de atendimento e que falhou ao não prever que a demanda aumentaria. Vai construir um novo PS ou ampliar o atual?<br />Sidnei Rocha -</strong> Estamos estudando a questão com muito cuidado. É algo que precisa ser feito logo, mas não deve ser feito de afogadilho. A gente precisa calcular custos. É preciso aliar o interesse da população com o custo. Poderemos construir outro, reformar o atual ou adquirir outro imóvel que possa servir bem. Não podemos fazer bobagem e jogar dinheiro fora.<br /><br /><strong>Comércio - O que mais o senhor projeta para a Saúde, setor tão criticado durante a campanha eleitoral?<br />Sidnei Rocha -</strong> A Saúde foi criticada no Brasil inteiro por todos aqueles que não eram da situação. Temos que partir do princípio que a Saúde é SUS, é do governo federal. Só que o governo não encaminha o dinheiro suficiente para atender às necessidades da população. Quando criaram o SUS, decidiram que todos os brasileiros teriam direito à Saúde gratuita. Só que não há recursos suficientes, o que tem sacrificado os municípios. O primeiro ato, e já pedi ao secretário de Saúde, é fazer um levantamento do que temos e o que pode e precisa ser melhorado. Primeiro, vamos melhorar o que temos. <br /><br /><strong>Comércio - O prefeito disse à Rádio Difusora que o planejamento será uma prioridade da próxima administração. Qual setor deverá receber mais atenção?<br />Sidnei Rocha -</strong> Melhorar o planejamento é necessário porque tivemos que apagar muitos incêndios nestes quatro anos. Quero ver se a gente consegue fazer um planejamento para a cidade mais a longo prazo. Isto é um trabalho a ser desenvolvido e que tem gasto. Primeiro, é necessário um retrato perfeito do que você tem, para, depois, fazer uma projeção para o futuro. Certamente, vou deixar melhores coisas em termos de planejamento do que eu recebi.<br /><br /><strong>Comércio - Quando as obras de canalização do Córrego dos Bagres vão ficar prontas?<br />Sidnei Rocha -</strong> Devem terminar neste mês, dependendo das chuvas. Se ficar alguma coisa para o mês que vem, é só aquele acabamento. Vamos fazer uns canteiros para plantar flores, como na Alonso y Alonso.<br /><strong><br />Comércio - Muito se reclama em Franca da falta de opções de entretenimento e lazer. O senhor tem alguma idéia para melhorar o setor?<br />Sidnei Rocha -</strong> São coisas que devem ser feitas pelo particular. Todo mundo reclama, mas Franca tem muita opção, grandes shows, grandes acontecimentos. Não concordo que faltem opções. Acho que pode faltar é dinheiro. Quantas boates abriram e fecharam por falta de clientes?<br /><br /><strong>Comércio - Qual a grande obra que gostaria de deixar como uma marca do Sidnei Rocha nos próximos quatro anos?<br />Sidnei Rocha -</strong> Meu grande sonho, está pregado ali na parede (do gabinete), a Folha de S. Paulo de 1987: apenas 3% avaliaram a administração daquela época como ruim. Meu sonho é repetir estes números. O grande desafio é repetir a avaliação que tivemos na administração antiga. Chegamos perto, mas há muito o que se fazer para isto. O resto, é conseqüência deste sonho.<br /><br /><strong>Comércio - Como está a situação financeira da Prefeitura hoje. Qual é a dívida?<br />Sidnei Rocha -</strong> A situação está boa, tudo controlado. Pagamos o do mês e o atrasado. A Prefeitura tem dinheiro para investimento, não muito como gostaria, mas a situação é de absoluto controle. Não fizemos uma dívida sequer nestes quatro anos. Hoje, a Prefeitura deve só Previdência, Fundo de Garantia e PIS-Pasep, que está parcelado em 240 meses. Os números são complicados, mas acredito que a dívida deve estar na casa de uns R$ 90 milhões.<br /><br /><strong>Comércio - O senhor tem um superávit tranqüilo para trabalhar ao longo do mês?<br />Sidnei Rocha - </strong>Tenho, tenho. A Prefeitura vai fechar bem o ano apesar de ter feito tantas obras. Se tivéssemos perdido as eleições, o sucessor não receberia com uma dívida de R$ 40 milhões para ser paga rapidamente como recebemos. Ele deveria receber a Prefeitura com R$ 3, R$ 4, R$ 5 milhões em caixa. Vai dar para fazer muito. E outra coisa: se o sucessor não fosse eu mesmo, receberia a folha de pagamento de dezembro já paga. Não teria dívidas a pagar a curtíssimo prazo.<br /><br /><strong>Comércio - Quando o senhor começará a montar o novo secretariado?<br />Sidnei Rocha -</strong> Isto vai ocorrer com naturalidade. Não há pressa. Temos três meses pela frente. Vamos avaliar muito bem qualquer mudança que for feita. A montagem de um governo é muito mais importante do que os políticos que não têm experiência pensam. Não basta apenas ganhar uma eleição que está tudo resolvido. Você precisa de gente boa, é necessário conhecer a estrutura para poder orientar.<br /><br /><strong>Comércio - Qual será o percentual de renovação da equipe?<br />Sidnei Rocha -</strong> Não dá para falar, pois pode haver alguma modificação e pode não haver modificação nenhuma. Primeiro, vou pensar em mudanças na estrutura não nas pessoas. Depois, vou ver se tenho no grupo pessoas para as modificações que serão feitas.<br /><br /><strong>Comércio - O que a população pode esperar do prefeito reeleito?<br />Sidnei Rocha -</strong> Muito trabalho, muito trabalho. Estou motivado. Uma das coisas que me sensibilizaram mais do que o resultado da urna, foi o dia seguinte ao sair às ruas e sentir a alegria das pessoas. Foi muito recompensador, emocionante e gratificante. Se eu estava absolutamente frio durante a campanha, frio na marcha da apuração, no dia seguinte, passei um dia de muita emoção. Foi a melhor semana que passei como recompensa de um trabalho fechado em uma sala. A solidão do poder existe mesmo. Você tem que tomar decisões, decisões e decisões e não tem com quem compartilhar. Não gosto de levar problemas de política para casa. A alegria das pessoas está me sensibilizando muito.<br /><strong><br />Comércio - Como o senhor espera retribuir os 110 mil votos e o carinho recebidos?<br />Sidnei Rocha - </strong>Vou pagar com muito trabalho. A população pode saber disto. Se hoje posso ter a satisfação de ser um dos dez prefeitos, percentualmente, mais bem votados do País, devo à população que confiou em mim. Só tenho uma forma de retribuir: trabalhando muito e tentando fazer as pessoas mais felizes, acreditando mais na cidade e acreditando mais em si.<br /></p>
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