Comportamento pode ter mais peso que currículo


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Ansiedade, mãos frias, tremedeira, tiques nervosos são reações indesejadas que muitas vezes insistem em aparecer durante uma entrevista de emprego e podem colocar tudo a perder. Mas, como quem está em busca de um posto no mercado de trabalho dificilmente escapará dela, quanto mais se souber sobre o funcionamento do processo, melhor. Em princípio, é preciso ter em mente que as respostas das perguntas são importantes, mas não são suficientes - e muitas vezes nem mesmo o aspecto crucial da aprovação. E se você pensa que mesmo nas entrevistas sem “testes ocultos” ou “pegadinhas” tudo que o candidato faz está sendo observado, ponto para você. Está certo. Um boné, um chiclete, pouco asseio, muito perfume e outros incontáveis detalhes têm grande peso em um processo seletivo, segundo Matheus Oliveira, supervisor geral da Poli Consultoria, empresa de Franca. “Elimino uma pessoa, com peso de 55%, só pela conduta. Pontos fundamentais para um candidato que está à procura de uma vaga são a postura, o comportamento e a forma com que ele se apresenta”, afirmou o profissional. Entre as armadilhas fatais que os próprios candidatos montam, Oliveira cita o aspecto visual do candidato. “Boné e chiclete, por exemplo, são coisas que eu discrimino totalmente. Não adianta que eu não contrato”, disse. Já entre mulheres, é mais freqüente que o “suicídio profissional” aconteça em razão dos excessos. “Não se pode usar muitas jóias em uma entrevista. Tem gente que parece uma árvore de Natal. Algumas mulheres colocam brilhos e estrelas até nas unhas. Recentemente entrevistei uma moça que estava tão mal maquiada que, imediatamente, perdeu 80% das chances de ser contratada. Temos que selecionar os candidatos a dedo porque o mercado e os empresários nos cobram isso”. Passada a “primeira impressão”, é hora de começar, de fato, a entrevista. É comum que a seleção presencial comece com uma checagem dos pontos principais que já estão no currículo, tais como escolaridade, estado civil e local da residência. “O currículo é uma apresentação resumida. Tem gente que leva um livro. O entrevistador não olha. Ele verá, no máximo, uma página”, afirmou Oliveira. Em seguida, são analisadas as capacidades técnicas, por meio de perguntas sobre experiências profissionais anteriores e trabalhos conduzidos. Neste momento, redobre a atenção. Não se queixe e, em hipótese alguma, critique as empresas em que trabalhou ou ex-colegas de trabalho. Procure sempre ressaltar os pontos positivos por uma simples razão: se apontar defeitos ao seu emprego anterior dará margem para que o entrevistador pense que o mesmo poderá acontecer no futuro em relação a essa empresa. Aspectos da personalidade da pessoa também serão investigados. Assim, a pergunta “o que você faz no seu tempo livre” quase nunca fica de fora. Neste momento, seja sincero, mas, acima de tudo, não se esqueça que as suas ocupações podem revelar não apenas a capacidade de gerir o seu tempo, mas também a sua personalidade no relacionamento interpessoal e o interesse em seu desenvolvimento pessoal. PONTOS EXTRAS Esteja preparado para falar também sobre as similaridades entre você e a empresa e para relatar quais foram as experiências profissionais que lhe proporcionaram maior satisfação. O ideal é mencionar as mais recentes e que sejam mais adequadas aos seus objetivos profissionais. Ao final da entrevista, é habitual que seja disponibilizado um espaço para que o candidato esclareça eventuais dúvidas. Perguntas sobre salário, horário e benefícios são as mais recorrentes, mas você pode surpreender o entrevistador positivamente fazendo uma pergunta mais objetiva sobre a atividade a ser desempenhada ou a situação do mercado em que a empresa está inserida. Seja criativo, prepare-se bem e invista em seu crescimento profissional. Por fim, despeça-se com cortesia. Cumprimente o entrevistador, agradeça e evite confirmar os seus contatos neste momento, a não ser que o entrevistador solicite. Ah, e segundo nota publicada no caderno Empregos do Comércio de domingo passado, o simples ato de bater na porta da sala de quem vai entrevistar você, mesmo que aberta, aumenta em muito as chances de você conquistar a tão sonhada vaga. A dica é da consultora Ilana Berenhol.

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