Mais uma vez, a cena se repete na cidade de Franca. Na manhã de ontem, uma fábrica de calçados de porte médio, localizada no Distrito Industrial, fechou suas portas e ameaçou não pagar os direitos trabalhistas de cerca de 60 funcionários. Todos estiveram na porta da empresa para protestar e evitar que máquinas fossem retiradas do local.
Depois de muita confusão, representantes do Sindicato dos Sapateiros compareceram à indústria para negociar os pagamentos, que estavam atrasados há cinco dias. No fim da tarde, a empresa havia efetuado o aviso prévio de seus funcionários e negociado a forma de pagamento.
Perto de 60 pessoas, entre homens e mulheres, foram para porta da Indústria de Calçados Twiguy, para protestar contra o não pagamento de seus salários atrasados desde o último dia cinco. Segundo os sapateiros, o proprietário da fábrica não teria dado aviso prévio a eles e ainda teria tentado retirar máquinas do barracão durante a madrugada.
“Nós descobrimos que ele iria tirar tudo de lá de dentro e não ia nos pagar. Ontem ainda trabalhamos com a promessa de receber hoje. Alguns colegas nossos passaram a noite na porta da fábrica para impedir que eles tirassem as máquinas. Hoje quando chegamos os portões estavam fechados”, disse uma das funcionárias.
Ao tomarem conhecimento da situação da empresa, até mesmo os funcionários terceirizados foram para porta da fábrica cobrar explicações. “Estou com eles há dois meses e não sei se vou receber. Tenho uma banca de pesponto e se não me pagarem como vou pagar meus funcionários?”, disse o JCS, 33, que presta serviços para fábrica. A empresa está em funcionamento há três anos e este mês atrasou o pagamento.
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso, esteve na fábrica a pedido dos trabalhadores, onde por mais de duas horas negociou com o advogado da indústria, Paulo Careta, uma solução para o problema. “Infelizmente mais uma empresa fecha as portas em Franca. Nós negociamos com advogado da fábrica o pagamento de todos os trabalhadores. Ele demonstrou total interesse em garantir os direitos trabalhistas dos funcionários”, disse Paulo Afonso. Na segunda-feira, o sindicato deverá continuar as negociações.
O dono da empresa, Reinaldo Reker, foi procurado pela reportagem, mas avisou, por meio de seu advogado, que não daria declarações à imprensa.
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