Após uma breve trégua de 48 horas, os policiais civis de Franca resolveram ontem à tarde retomar o movimento de greve depois que as negociações entre as entidades representativas e o governo estadual não prosperaram. A decisão foi tomada às 13 horas, em uma reunião com 40 policiais no pátio da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito). Além da participação de agentes das delegacias da cidade, o movimento ganhou o apoio dos Consegs (Conselhos de Segurança) de todas as regiões de Franca.
Em sua maioria uniformizados, os policiais definiram como intransigente a postura do governo, fizeram um balanço do período de suspensão da greve e decidiram por voltar novamente ao movimento, ressaltando que eles seguiriam o que manda a lei e a cartilha feita pela Adpesp (Associação dos Delegados do Estado de São Paulo).
Pela legislação em vigor, é preciso manter pelo menos 80% dos funcionários nas unidades policiais e atender a casos considerados de urgência ou prioritários, como flagrantes e crimes mais graves. “A idéia é não deixar a população desamparada”, disse um dos delegados presentes. Serviços internos, como arquivo, não vão ser realizados.
Na Ciretran, a orientação é a mesma. Na unidade de trânsito serão feitas apenas liberações de documentos considerados de emergência. Um dos exemplos citados foi o de pessoas que sejam ou tenham parentes com problemas graves de saúde e precisam manter a documentação do veículo em dia.
Um outro policial presente à manifestação ressaltou que o objetivo não é paralisar as atividades para prejudicar a população, mas pressionar o governo a negociar com a categoria. “A intenção é reduzir o atendimento e ver quais são as prioridades. Nós pedimos a compreensão da população”, disse.
Por medo de represálias, nenhum dos entrevistados quis se identificar. Há 16 dias, três delegados foram transferidos de delegacias, supostamente por envolvimento deles no movimento grevista. Além disso, o Deinter 3 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), de acordo com matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, teria exigido que as delegacias seccionais de sua área de atuação, incluindo Franca, enviassem diariamente relatórios às 10, 14 e 18 horas apontando as delegacias e os profissionais que se negarem a registrar os BOs (Boletins de Ocorrência).
O delegado Seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, foi procurado para falar sobre a greve e a suposta ordem do Deinter. Não foi encontrado na delegacia e pelos telefones de seu gabinete e celular. Em nenhum dos casos atendeu às chamadas.
VIAGEM DESMARCADA
No mesmo horário do encontro dos policiais em Franca era realizada uma manifestação no vão aberto do Masp (Museu de Arte Moderna), na Avenida Paulista, em São Paulo. Estava prevista a participação de uma caravana de Franca no evento na capital, mas, por motivos ainda desconhecidos, a ida do ônibus para a cidade foi cancelada.
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