A voz do corpo


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DANÇA - Bailarinos durante o 9º Festival de Dança de Franca, na quinta-feira. O espetáculo teve produções bem cuidadas do figurino, cenário e iluminação. O festival competitivo continua hoje e a
DANÇA - Bailarinos durante o 9º Festival de Dança de Franca, na quinta-feira. O espetáculo teve produções bem cuidadas do figurino, cenário e iluminação. O festival competitivo continua hoje e a
Os músculos são os órgãos ativos do movimento de todo o corpo humano. O corpo, por sua vez, tem uma capacidade incrível de se modificar e criar formas ordenadas através da dança, formada pela energia, ritmo e criação. O que se viu na noite fria de quinta-feira, no 9º Festival de Dança de Franca, foi um espetáculo coreográfico encenado na contemporaneidade com produções bem cuidadas do figurino, objetos, cenário e iluminação. Pena que poucos francanos tiveram o prazer de apreciar a Mostra, que reuniu apenas oito grupos da cidade no palco do Teatro Municipal. O grupo de dança contemporânea Plêiade deu um show na abertura. Nos fragmentos do espetáculo Todos (E)migram - que faz referência ao poema “Canto dos Emigrantes”, de Alberto da Cunha Melo musicado pelo Cordel do Fogo Encantado -, os bailarinos Lilian Mello, Ana Maria Barros, José Silva e Talita Freitas mostraram a arte do trabalho corporal com maturidade e leveza, questionando: “O que nos move de um lugar a outro?” As crianças da Ballerina - Fábrica de Dança encantaram o público com a Alegria do balé clássico. As moças da AEC Castelinho mostraram desenvoltura no jazz, que trouxe tango no ritmo. Aliás, o Festival pode ser definido como uma salada de música, dança, teatro e literatura, temperada com sentimento, emoção, prazer e tensão. Isso mesmo, tensão. A Cia. Axioma, dirigida por Gisela Durval, inovou começando a apresentação dos fragmentos do espetáculo Soma apenas com mímica e passos desconcertados. As bailarinas incomodaram a platéia - que a esta altura já estava praticamente vazia -, com passos irreverentes, ora mostrando a língua ora fazendo sinal de “to nem aí” e surpreenderam tomando sal de fruta antes de deixarem o palco. “Essa era a idéia mesmo: incomodar e estimular a participação do público. Depois, a gente se vira e toma um remédio contra azia e má digestão, e você? O que vai fazer para curar essa dor de cabeça?”, indagou Gisela Durval. A Cia. Mila Zahar encerrou a noite com a alegria contagiante da dança do ventre. O FESTIVAL Em sua nona edição, o Festival de Dança de Franca - organizado e promovido pela bailarina Carla Pacheco em parceria com a Prefeitura através da Feac (Fundação para o Esporte, Arte e Cultura), começou na última quarta-feira e termina amanhã. O evento deve reunir cerca de 800 bailarinos de 17 cidades do interior de São Paulo, capital e sul de Minas Gerais. O Festival Competitivo promove as várias modalidades da dança: balé clássico, neoclássico, dança contemporânea, jazz, sapateado, dança de salão, dança do ventre, danças folclóricas, moderno e estilo livre. O evento não fica restrito somente ao Teatro Municipal. Quem passar hoje pela Concha Acústica, na Praça Nossa Senhora da Conceição, a partir das 10h30, poderá conferir a apresentação de 14 grupos no Palco Livre. Às 18h30, a primeira noite de competição reúne 24 espetáculos no Teatro. E amanhã, a partir das 15 horas, o público assiste a mais 28 apresentações. A premiação acontece logo depois. Segundo Carla Pacheco, todos os grupos da competição serão avaliados por três jurados: o argentino Jorge Peña, mestre e coreógrafo de dança clássica em São Paulo; Guivaldi de Almeida, diretor da Cia. Especial de Dança e da Cia. Brasileira de Danças Clássicas de São Paulo e Ricardo Dias, coreógrafo de Dança de Rua do Brasil de Santos. “Os premiados recebem troféus, certificados e o melhor grupo do evento um prêmio em dinheiro, sendo que o valor ainda não foi divulgado pela Prefeitura”, disse Carla. Neste sábado e domingo, os jurados ministrarão workshops de dança clássica, padedê, pasdedeux, contemporânea, flamenca e street dance. Para participar, o custo é de R$ 20 e os interessados devem ligar para o telefone (16) 3026-0344. Para assistir às apresentações no Teatro Municipal, a organização solicita um quilo de alimento, que será destinado ao Fundo Social de Solidariedade.

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