Sem bagagem em alto-mar


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‘Valeu a pena’ - A funcionária pública Teresa Raymundini conta sua aventura ao fazer um cruzeiro marítimo: “Ficamos três dias com as mesmas roupas, mas, no final, valeu a pena”
‘Valeu a pena’ - A funcionária pública Teresa Raymundini conta sua aventura ao fazer um cruzeiro marítimo: “Ficamos três dias com as mesmas roupas, mas, no final, valeu a pena”
Quanto tempo você consegue ficar com as mesmas roupas, incluindo peças íntimas? E sem pentear os cabelos ou escovar os dentes? Diante da remota possibilidade de uma situação como essa perdurar por três dias, muita gente entraria em pânico. Para que uma onda de desespero não se instale em um momento assim, é preciso muita calma e jogo de cintura. Foi o que os integrantes de uma família de Batatais precisaram ter para driblar a situação bem inusitada: em alto-mar, em algum lugar do oceano Atlântico, durante um cruzeiro, eles foram informados de que suas malas não haviam embarcado e, o pior: o navio demoraria três dias para atracar no próximo porto. A família da funcionária pública Teresa Cristina Raymundini decidiu passar um fim de ano diferente, cantando Jingle Bell e vendo o primeiro sol de 2008 em alto-mar. O roteiro escolhido incluiu passeios por Buenos Aires e pela cidade uruguaiana Punta Del Este. Embarcaram felizes e entusiasmados com o programa. Para terem mais liberdade, não fizeram nem questão de manter com eles bagagens de mão. “Bolsas de filhas, marido, acabam sempre sobrando para eu tomar conta, então preferi deixar tudo no bagageiro”, disse Cristina. O navio partiu e, já em alto-mar, as malas foram lentamente sendo distribuídas aos turistas. Mas as deles não apareciam nunca. A desilusão aumentava até que, finalmente, com um semblante sem graça, o chefe da tripulação deu o veredicto: “As malas de vocês ficaram em terra”. Nervosismo de um lado, bico de outro, dúvida geral sobre o que fazer. “Eles nos disseram que as malas iriam para Buenos Aires e no porto de lá poderíamos pegá-las. O problema é que o navio demoraria três dias para chegar à Argentina”, afirmou a turista. Para auxiliar os “sem-mala”, a agência cedeu um vale de 100 dólares por dia, por pessoa, até que a situação se resolvesse. Problema solucionado? Nem pensar. “Pensamos que seria uma grana boa, mas quando chegamos ao freeshop do navio para comprar o essencial, tivemos mais uma surpresa: a cueca mais barata, por exemplo, custava 75 dólares”, conta Cristina, atualmente rindo muito da situação. Os fatos engraçados não pararam por aí. Em plena noite de Natal, ao se dirigirem para o restaurante mais sofisticado do navio, foram alertados que não estavam com trajes adequados para a ocasião. “Foi preciso muita conversa para podermos entrar. Uma vez lá dentro, não teve quem não nos olhasse”, afirmou Cristina, de novo aos risos. Mas como, quase sempre, no final tudo dá certo, em Buenos Aires a família recuperou as malas e o ânimo para continuar o tour pelo Atlântico e, como recompensa pelos transtornos, após um acordo com a agência que os atendeu, terá direito a fazer uma nova viagem.

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