Comércio, serviços e agronegócios crescem muito mais rápido que a indústria em Franca


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BONS NÚMEROS - João Cheade, presidente da Acif, disse que Franca viveu um bom momento, especialmente nos setores comercial e agrícola
BONS NÚMEROS - João Cheade, presidente da Acif, disse que Franca viveu um bom momento, especialmente nos setores comercial e agrícola
O crescimento da indústria de transformação de Franca deu um salto nos últimos 15 anos, conforme divulgou ontem a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). Dados da Fundação Seade, reafirmados por um estudo inédito do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas Sociais) do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), mostram que ela saiu de 1.202 estabelecimentos para 2.577. Um avanço de 114%. No mesmo período, cresceram os empregos e também os setores comercial e de serviços. Estes em maior proporção que a indústria, que num ranking geral ocupa a terceira posição. A explicação para esta mudança de cenário está no aquecimento da demanda doméstica, combinado com a demanda externa. Ou seja, há público consumidor para os produtos. “Esse aquecimento alavancou o aumento da produção física da indústria, do mesmo modo que no plano interno as vendas no varejo dilataram-se”, diz o professor Hélio Braga Filho, pesquisador do Ipes. Braga lembra, no entanto, que, apesar do avanço, boa parte dos novos estabelecimentos são de micro e pequeno portes, pois neste período, dados do Ministério do Trabalho, com base na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), mostram que o número de fábricas francanas com mais de 100 funcionários caiu pela metade. Das 16 existentes em 1986, com mais de 500 funcionários, apenas três continuam funcionando 20 anos depois. Em ritmo contrário, as micro mais que quadruplicaram, saltando de 366 unidades para 1.441. Sozinhas, já representam mais de 50% do setor industrial de Franca. Para o pesquisador, embora a maior parte das empresas tenha em média nove funcionários, elas foram determinantes para reaquecer o mercado formal de trabalho. “Ao ampliar a massa nominal de rendimentos dos trabalhadores, elas contribuíram para o aquecimento do consumo local dos indivíduos e das famílias”, disse Braga. Reflexo direto dessa realidade é o crescimento do setor comercial de Franca que teve o número de estabelecimentos multiplicado mais de duas vezes e meia. De 1.276 para 3.399, um crescimento de 266,38% no período de 15 anos. A agricultura teve desempenho ainda mais impressionante - cresceu 800%. Em 1991, eram 39 empresas de agronegócios, passando para 312 em 2006. No setor de serviços, o avanço foi de 808 para 2.069. Apenas a construção civil registrou variações bruscas também de queda no período. “A partir de 2000, o período para o setor foi bom por causa da maior oferta de crédito para a construção, registrado à época”, disse o presidente da Acif, João Cheade.

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