Por direito da supremacia do povo nas eleições de cinco de outubro, uma avalanche de cento e dez mil sufrágios, decretou instalação em Franca de forte, indiscutível e serena liderança no mundo político.
Nossa cultura e ciência política claudicavam de modo lamentável, somando prejuízos jamais passíveis de recuperação. Há muito não se desfrutava o sabor da unificação de objetivos, reunindo em um só momento número de votos capazes de afirmar liderança efetiva e evidente.
Prova do aqui alinhavado se encontra na história de nossa ausência do Congresso Nacional por tantos anos. Na passada eleição para a Câmara Federal por força do empenho de entidades locais e mídia – Comércio e Difusora – frutificou-se o apelo para soma de votos em torno de um nome nosso a excluir o vácuo com o qual convivíamos. E 84.175 votos foram conseguidos no esforço conjunto para eleger Ubiali, número que mostra boa distância dos exuberantes cento de dez mil de Sidnei Rocha do último embate.
Onde nosso pecado? Falta de qualificação de nossos postulantes ou inconsciência de nosso eleitorado?
A tradição brasileira do não votar em partidos, mas sim em pessoas, consagra Rocha um campeão na aprovação popular, pois, a seguir norma partidária correta, o PSDB teria feito a maioria absoluta na Câmara com o mínimo de dez vereadores sob o guarda-chuva do prefeito eleito.
Ao examinar-se o resultado final para a edilidade, vale vislumbrar um futuro de resgate e recuperação daquela casa legislativa tão sujeita ao enxovalhamento de alguns procedimentos no mandato que se findará em dezembro.
A campanha apresentou fatos que sugerem reflexão para ganhos futuros ou muitas esperanças a serem frustradas. Salutar o surgimento de novas figuras, jovens, alguns revelando possível qualificação para projetarem-se no futuro. Muito válido o ensaio assumido por corajosos desconhecidos como pré-postulantes, incluindo equívocos registrados – caso do abandono da candidatura a prefeito para assumir uma vice sem nenhuma sintonia com seu perfil de tradição formatada, em partido previamente alijado da contenda – no período de campanha.
Cabe a Sidnei Rocha em novo mandato, honrar o diploma de merecida liderança outorgado pela supremacia do povo. E deve fazê-lo não só bem administrando a cidade no decorrer dos próximos quatro anos, mas também tomando a si todas as outras obrigações paralelas que a avalanche de cento e dez mil votos lhe conferiu: exigir do Estado e da União o que tal votação lhe abona. De quebra levará consigo o indispensável reconhecimento à estatura francana: industrial, comercial, cultural e independência de cidade das mais importantes do País.
Em sua mão Rocha, também foi entregue pelo povo o dever de formar lideranças que assegurem um porvir de sucessões de equilíbrio com igualdade e sabença. Se o povo assim decidiu, cumpra-se!
Garcia Netto
Jornalista
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