O circo de antigamente


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Equilibrando-se com maestria naquelas pernas improvisadas, com quase 3 metros de altura, roupas frouxas, coloridas e cheias de babados, me fez voltar aos tempos de criança, lembrando-me da chegada de um circo à cidade. Na semana passada, em Franca, um palhaço com perna de pau chamava a atenção dos clientes de um supermercado. A memória fez o resto e o relacionou a outro, de outra época. Era de um circo mambembe, lona listrada e colorida que desfilava pelas ruas com jaulas de leões e elefantes andando lentos e enfileirados, segurando um no rabo do outro. Os palhaços vinham à frente do cortejo, dando saltos e jogando bolinhas para o alto. O mágico desfilava com sua cartola e as moças bonitas em suas roupas justas e cheias de brilho, jogavam bastões de uma mão para outra. Era uma magia indescritível. Naqueles tempos a maioria dos circos ocupava uma área onde hoje existe um posto de gasolina, entre as Ruas Mário Masini e General Carneiro, em frente ao prédio dos bancários, no Bairro da Estação. Não fui um menino que entrasse de graça nos circos. Primeiro porque não tinha jeito de correr atrás do palhaço, gritando a propaganda para ganhar a entrada. Segundo, porque não tinha coragem de entrar por baixo do pano, escondido, como faziam os colegas de escola e da rua. Meu pai tinha sempre que pagar meus ingressos quando eu não conseguia ganhar dinheiro vendendo as revistas ‘Ilusão’ e ‘Capricho’ – que conseguia na Agência Brasil – para as donas de casa. No circo, com ingresso pago, eu entrava sempre de roupa limpa, sapatos brilhando, cabelos lisinhos de glostora ou de brilhantina. Menino que entrasse sujo, quase sempre tinha que ajudar o palhaço, ou mesmo servir de amarra-cachorro nos momentos de intervalos. Quem não guarda, lá dentro, no mais profundo da alma, uma saudade-menina da primeira alegria sentida no circo? Sentado na arquibancada de madeira e com um pacote de amendoim torrado nas mãos, acompanhava fascinado as bailarinas entrando no picadeiro, faceiras e sorridentes. Aplaudia os trapezistas e malabaristas e sorria até mais não poder dos palhaços. O auge do espetáculo era o globo da morte, com as motocicletas barulhentas e aqueles homens destemidos a fazer acrobacias dentro dele. Inesquecível. Àquela época, eram comuns as histórias de meninos que os circos roubavam. Por isto os pais prendiam a molecada em casa quando o circo começava a se desmontar. Hoje, concluo que o circo não roubava menino algum. Eles, simplesmente, iam com ele, apaixonados pelas bailarinas. Elas eram as flautistas de Hamelin das pequenas cidades do interior. O coração das crianças é um universo. Tem lugar para paixões infinitas e fantasias mil. À medida que vão crescendo e a inocência não mais lhes acompanha os passos, o coração diminui, as fantasias se envergonham e se recolhem aos mais inacessíveis escaninhos da mente. Há muito tempo fui a um circo de lona, quase caindo aos pedaços, um chão poeirento que fazia dó, as arquibancadas tão velhas que o próprio vendedor de ingresso chamava-as de poleiro. A trapezista e o equilibrista – coitados – a gente não sabia se admirava ou tinha pena! Mas, que coisa gostosa, quanta saudade matava na gente! Era um circo e tinha palhaço! Entristece-me saber que aos poucos eles vão desaparecendo e dando lugar a espetáculos mais tecnológicos e grandiosos. O chão, hoje em dia, é coberto de asfalto. O circo, o palhaço e as bailarinas são nada mais que doces reminiscências de um passado que cada vez mais se perde nas esquinas escuras da vida apressada. DESCOBERTA Cientistas franceses e britânicos descobriram o gene que é indispensável à memória. Trata-se do Zif 268, dificilmente encontrado na maioria dos homens públicos do País. ALÔ PROCON Mesmo depois de lavrada, a lei que proíbe expor produtos em vitrines sem os preços vem sendo driblada pelos espertos. É só circular pelas lojas de Franca e ter a prova de que a maioria delas não cumpre o determinado. Principalmente as mais requintadas, muitas no Franca Shopping. Estas colocam preços em etiquetas mínimas, com números que desafiam as vistas mais apuradas, quando não dão um jeito de ocultá-las por trás da mercadoria. NEGATIVO Depois de vencer as eleições municipais de Franca com mais de 110 mil votos, o prefeito Sidnei Rocha resolveu se auto elogiar ao ser entrevistado pela Rádio Difusora e este Comércio. Bateu no peito e afirmou que é a maior liderança política da cidade, esnobou os adversários derrotados e assustou até seus maiores admiradores com tanta fanfarronice. Bom lembrar, senhor prefeito, que o auto-elogio é o contrário da falsa modéstia, projeta uma imagem de arrogância e convencimento e cria atitudes negativas. Que tal deixar que os outros avaliem por si mesmos seu talento político e sua administração? POSITIVO A Lei Seca está realmente mudando os hábitos de vida da população. Muita gente acostumada a sair para encher a cara, hoje prefere ficar em casa e evitar os problemas que até mesmo um pouco de bebida poderá causar. A medida foi acertada. Nada mais desagradável do que ‘bebuns’ dando vexame nos bares ou criando problemas no trânsito, com risco principalmente para quem não bebe. É aquela história, quando a punição mexe com o “órgão” mais sensível do corpo humano, o bolso, as coisas mudam de figura. NÃO É UM PAÍS SÉRIO Pra terminar, frase do saudoso e insuperável Tim Maia: “Este País não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia”. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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