A alta valorização do dólar, que ontem chegou a R$ 2,40, pode afetar diretamente a economia de Franca e provocar uma paralisação nos negócios da construção civil que até então estavam aquecidos. A explicação está na falta de crédito no mercado, ingrediente fundamental para abastecer o boom de construções da cidade que já registra 1.884 novos imóveis, segundo o cadastro da Prefeitura.
Com a variação constante da taxa de câmbio, quem pensava em construir decidiu brecar o investimento e esperar por uma estabilidade. Com isso, empresários do setor da construção já começam a sentir os reflexos da crise americana.
Olívio Rodrigues Peres Júnior, gerente da Marka Sistemas Construtivos, disse que clientes com projetos em desenvolvimento decidiram parar os novos negócios com medo de uma possível queda no consumo interno. “Eles pediram um prazo de 30 a 40 dias para ver como ficará a situação. Ninguém quer arriscar e perder o capital de giro”.
Peres explicou que os mais temerosos são grandes industriais e usineiros com projetos de novas unidades ou expansão. “São os setores mais significativos que sofrem. As linhas de créditos são bloqueadas pelos bancos e esses industriais não conseguem dar seqüência aos investimentos”.
Embora ainda não tenha sentido retrações nos projetos em que trabalha, Fernando Caleiro, diretor comercial da Construtora Infac, diz que a desaceleração vai acontecer a qualquer momento.
Para ele, os investidores ficam cautelosos com a redução da oferta de crédito. “Os juros ficam mais altos e os custos de diversos produtos aumentam. Se antes havia um projeto para ser desenvolvido em 12 meses. Esse prazo agora será maior”. Caleiro também teme por uma queda no número de licitações para obras públicas. “Ninguém quer investir em momento de crise”.
Quem também aposta na diminuição do ritmo das construções é o diretor da Vicae Construtora, Sérgio Viário. Mesmo otimista, o empresário confirma que haverá uma parada nos investimentos em razão do crédito estar mais escasso e mais caro. A opinião ainda é compartilhada pelo diretor da Conspen, João Cheade. “Franca vai sentir essa queda. O setor da construção civil estava muito acelerado e agora apareceu um sinal amarelo. É momento de ficar alerta”.
Segundo Cheade, a redução deve chegar a 5% e exigir readequação dos gastos dentro da empresa. “As obras físicas diminuirão e nós temos que estar preparados para essa desaceleração”.
SETOR CALÇADISTA
No setor calçadista, o clima é de cautela. Até os exportadores ainda não sabem se podem apostar na valorização da moeda americana. Entre os empresários do mercado interno, o temor acontece em razão de uma possível queda no consumo. “Precisamos esperar passar essa turbulência. Se o câmbio persistir alto, dá para retomar as exportações e reconquistar mercado, mas ainda não dá para fazer planejamentos”, disse o gerente comercial da Opananken, Sebastião Donizeti Siqueira.
Para o empresário Élcio Jacometi, o momento é de incertezas. “Fica difícil trabalhar. Não tem como traçar o futuro. Podemos ter decréscimo de pedidos já para o Natal”.
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